ENTREVISTA COM O PRESIDENTE HINCKLEY


PRES. HINCKLEY OTIMISTA

Líder SUD oferece seus pontos de vista em assuntos variados

no "Larry King Live"


Por Jennifer Toomer-Cook
Deseret Morning News

2004
 

Guerra no Iraque, casamento gay e enfrentar a morte da esposa foram assuntos abordados na entrevista de ontem no "Larry King Live" com o Presidente Gordon B. Hinckley, mas todos continham uma linha comum: o líder de 12 milhões de membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias saúda o futuro com otimismo.

"O ano (de 2005), acho, será um bom ano", disse o Pres. Hinckley, que anteriormente riu considerando-se algumas vezes "a última folha da árvore com o vento soprando" quando perguntado sobre seus amigos contemporâneos.

"Estou otimista. Acho que podemos olhar adiante com esperança e fé. Espero que haja uma solução para a situação no Iraque. (...) Espero que a economia vá bem e que haja paz no mundo. E estarei viajando - na minha idade", disse Pres. Hinckley, de 94 anos.

Sua participação no talk show da CNN foi a quarta desde setembro de 1998. Ele também participou do programa em 1999 e dias após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

A transmissão foi gravada antecipadamente no Centro de Conferências da Praça do Templo de Salt Lake City. Foi entrelaçada com cenas do concerto de Natal do Coro do Tabernáculo Mórmon e de coros militares e orquestras, e pontuada com King mostrando um presente do Presidente Hinckley: um tomo da genealogia de King, incluindo mapas dos locais de nascimento de seus parentes europeus, documentos de sua imigração e até
de fatos ocorridos com os navios nos quais navegaram até os Estados Unidos.

"Não posso lhe dizer o que isto significa para mim", disse King. "Isto tem mais valor que qualquer outro (presente) (...) Estou grato e honrado em aceitá-lo".

King, cuja esposa é membro da Igreja SUD, pediu ao Presidente Hinckley um rol de perguntas que abordavam desde a vida após a morte até como se sentia sobre o governador eleito de Utah, Jon Huntsman Jr. ("Acho que é um bom homem", disse o Pres. Hinckley.)

Algumas vezes a conversa tocou na riqueza da Igreja e em como o dízimo é gasto. Cerca de 400 edifícios são eregidos por ano em todo o mundo para abrigar membros da fé crescente, disse o Pres. Hinckley. "São lindos. Nada é bom demais para o Senhor", respondeu ele quando perguntado por que são tão grandiosos.

"Ao fazê-lo, não negligenciamos o lado humanitário (...) (ou) esforços para o bem-estar".

Neste ano a Igreja gastou milhões de dólares em ajuda humanitária e trabalhou com outros grupos, incluindo a Cruz Vermelha Americana e as caridades católicas, disse o Pres. Hinckley, que recebeu em outubro o Prêmio Distinção Humanitária dos Serviços Comunitários Católicos de Utah. O fundo perpétuo para a educação da Igreja, criado através de doações, está ajudando 16 mil pessoas.

"Nossa preocupação é cuidar dos necessitados (ou) ajudá-los em suas aflições", ele disse.

O Pres. Hinckley também respondeu a perguntas de vários outros tópicos, incluindo:

- Sobreviver ao falecimento de Marjorie Pay Hinkley, sua esposa por quase 67 anos: "Me sinto bastante solitário às vezes (...) Tenho muita saudade dela. Era uma grande dama (...) Você nunca supera isso; claro que não. A melhor coisa que se pode fazer é simplesmente permanecer ocupado e trabalhar duro."

- Guerra no Iraque: "Cremos na paz. Trabalhamos pela paz. Oramos pela paz, mas somos todos cidadãos da nação e recebemos essa responsabilidade conforme está definida por nossa liderança na nação."

- Guerra contra o terror: "Vejo (o terrorismo) (...) como o trabalho de um grupo de (homens) mal orientados (...) que não representam o grande corpo de muçulmanos ao redor do mundo".

- Uniões civis como alternativa ao casamento gay, contra o que a Igreja se opõe: a Igreja não favorece o que pode conduzir à permissão do casamento gay, disse o Pres. Hinckley. "Não somos anti-gay, somos pró-família. Deixe-me por dessa maneira. Amamos essas pessoas e tentamos trabalhar com elas. Sabemos que têm um problema; queremos ajudá-las a resolver esse problema (...) e abençoar suas vidas."

- Mulheres não são inferiores aos homens; ter um profeta negro estaria "dentro da esfera de possibilidades". Assim como para mulheres trabalhando fora de casa, "creio que estamos pagando o preço por isso na família".

- Uma nota pessoal: "Tenho sido tão abundantemente abençoado", disse o Pres. Hinckley. "Quero estender isso aos outros."

Tradução por Marcelo Todaro

Deseret News Publishing Company


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