O MASSACRE DA MONTANHA MEADWOS


A Verdade Sobre o Que Realmente Aconteceu

 

Este é um assunto que tem sido muito deturpado, propositadamente, por nossos críticos. Eles têm acusado A Igreja de ser responsável por este trágico acontecimento. Entretanto, conheçamos os fatos e enredo do que realmente aconteceu.

 

Na mesma semana em que o capitão Van Vliet visitava Salt Lake City,  uma tragédia aconteceu a quase quinhentos quilômetros ao sul. Pode-se entender melhor o fato dentro do contexto da histeria de guerra causada pela chegada iminente das tropas federais a Utah.

 

Assim que soube que um exército estava a caminho, George A. Smith, responsável pelas colônias do sul, viajou para o sul de Utah a fim de mobilizar tropas e colocar a região em alerta de guerra.

 

Nessa mesma época, a caravana Fancher — uma companhia de emigrantes formada por várias famílias de Arkansas e um grupo de cavaleiros que se denominavam os Gatos Selvagens de Missouri — passava pela região central de Utah. A companhia seguia pela rota sul, em direção à Califórnia, devido à proximidade do inverno. Como Utah estava sob lei marcial, o grupo não pôde comprar cereais e suprimentos, mas alguns dos viajantes conseguiram surrupiar algumas coisas dos fazendeiros locais. Alguns deles também se gabavam de terem participado do massacre de Haun’s Mill, do assassinato de Joseph Smith e de outros ataques aos mórmons.

 

Alguns moradores locais relacionaram o grupo de Arkansas com o recente assassinato brutal do Élder Parlev P. Pratt ocorrido naquele estado. Alguns dos santos imaginaram tratar-se de um grupo de reconhecimento do exército federal.

 

Os problemas com os índios no sul de Utah complicaram ainda mais a situação. Os santos haviam conseguido estabelecer bom relacionamento com os índios, mas ainda havia perigo. Os índios faziam distinção entre os “men­cats” (qualquer americano viajando por Utah), de quem desconfiavam plenamente, e os “mormonee”, de quem geralmente gostavam. Existia, porém, a possibilidade de os índios voltarem-se contra os colonos mórmons.

 

No dia 7 de setembro de 1857, um bando de índios atacou a caravana Fancher, que estava acampada a 56 quilômetros de Cedar Cliv. Os emigrantes estavam bem armados, de modo que os índios foram obrigados a retroceder.

 

Nessa mesma época, os cidadãos de Cedar City haviam-se reunido para discutir o que fazer em relação à caravana Fancher. Alguns homens mais irascíveis argumentavam que os emigrantes deveriam ser destruídos. Tinham receio de que os emigrantes viessem a unir-se a um exército proveniente da Califórnia e lutar contra os santos, como ameaçavam em alta voz.

 

Decidiram enviar um mensageiro, James Haslam, para pedir conselho a Brigham Young. Quase sem dormir nem descansar, James Haslan chegou a Salt Lake City em apenas três dias e recebeu uma carta do Presidente Young pedindo aos santos que deixassem os emigrantes seguirem em paz. Quando Haslam estava para partir de Salt Lake City, Brigham Young pediu-lhe: “Vá o mais rápido que puder, sem ter pena dos cavalos. Os emigrantes não devem ser perturbados, mesmo que seja necessário mobilizar todo o condado de Iron para isso. Eles devem seguir em paz e sem ser molestados”.

 

Haslam viajou o mais rápido que pôde até Cedar City, chegando no dia 13 de setembro, domingo, dois dias depois da tragédia.

 

John D. Lee, que havia sido nomeado “fazendeiro dos índios” por Brigham Young, na ausência de Jacob Hamlim, o agente dos índios, foi enviado para apaziguar os índios. Chegou ao acampamento indígena pouco depois das primeiras lutas entre eles e os emigrantes. Lee encontrou os índios muito irritados, encontrando-se na perigosa situação de ser o único homem branco ali. Por fim, conseguiu convencer os índios de que eles teriam sua vingança, e então recebeu permissão para partir.

 

Mais tarde, naquela noite, mais índios chegaram ao acampamento acompanhados de alguns homens brancos de Cedar City. Durante a noite, um plano diabólico foi elaborado, em parte para aplacar a ira dos índios. No dia seguinte, na manhã de 11 de setembro, os brancos prometeram oferecer proteção aos emigrantes, se entregassem suas armas. Integrantes da milícia do condado de Iron, agindo sob as ordens de seus comandantes locais, mataram os homens, enquanto os índios mataram as mulheres e as crianças mais velhas, deixando aproximadamente 120 mortos. Apenas dezoito crianças muito novas foram poupadas. Elas foram posteriormente encaminhadas, com a ajuda do governo, para seus parentes no leste.

 

Os mortos foram enterrados em covas rasas, e os participantes do massacre combinaram pôr a culpa de todo o incidente nos índios. Mais de duas semanas depois da tragédia, Jobn D. Lee foi enviado a Salt Lake City para relatar o incidente a Brigham Young. Lee pôs toda a culpa nos índios, como havia sido combinado. Mais tarde, Brigham Young ficou sabendo que integrantes da milícia do condado de Iron haviam participado do ataque. Ele ofereceu pleno apoio ao governador Alfred Cumming para que uma investigação fosse realizada, mas nada aconteceu porque na época os mórmons haviam recebido anistia de todos os supostos crimes relacionados à Guerra de Utah.

 

Por duas décadas, continuaram a circular rumores e boatos. Por fim, o caso foi a julgamento na década de 1870. John D. Lee, um dos principais participantes, mas certamente não o único oficial responsável pelo crime, foi o único santo dos últimos dias indiciado. Ele foi julgado duas vezes. No primeiro julgamento, o júri não chegou a um veredicto. Lee acabou sendo condenado em setembro de 1876 e um ano depois foi levado por autoridades federais a região de Mountain Meadow e executado.

 

Comboios de Emigrantes em Utah

 

Enquanto o exército dos Estados Unidos se aproximava do território de Utah. um mensageiro cavalgava a toda pressa para Lago Salgado. Havia coberto os quinhentos quilômetros desde Cedar City em três dias. Assim que chegou à presença de Brigham Young, James Haslam relatou uma história e entregou uma mensagem que levou o amado líder a ficar bastante preocupado e a agir de imediato.

 

Durante este período da história de Utah era constante o movimento de caravanas de emigrantes passando através do território em direção a Califórnia. O sentimento entre tais emigrantes e os Santos não era muito saudável. Os emigrantes geralmente entravam no território com um grande desejo de prejudicar os mórmons. Muitas destas companhias continham missurianos que haviam ajudado a expulsar os mórmons daquele estado.

 

Por este motivo é evidente que muitos dos Santos tivessem sentimentos inamistosos para com eles.

 

Estes emigrantes muito fizeram para antagonizar os índios naquele território. Geralmente não manifestavam o mesmo sentimento de irmandade que os mórmons para com os peles-vermelhas. Tinham-nos na conta de animais selvagens, freqüentemente atirando neles, sem qualquer provocação. Os índios que entravam em seus acampamentos para um comércio pacífico eram sempre muito maltratados, sendo alguns cruelmente mortos. Isto fez germinar um forte ódio nas tribos indígenas especialmente nos acampamentos do sul. Também o homem branco ficou irado. Antes os índios eram difíceis de ser controlados, mas agora eram impossíveis.

 

O clímax desta crise foi alcançado quando uma grande companhia de emigrantes de Arkansas se dirigia para a Califórnia via sul de Utah. em 1858.

 

Esta companhia continha um grupo de missurianos que se denominavam “Os Gatos Selvagens de Missouri”. Realmente dava a impressão de que gatos selvagens dominavam a caravana. Gabavam-se abertamente de haverem ajudado a expulsar os mórmons de Missouri e Illinois. Diziam que iriam ajudar o exército que se aproximava de Utah, a exterminar os Santos.

 

No que concerne às suas ações ao passarem pelos povoados do sul o que se fala é tão contradizente que se torna difícil determinar toda a verdade. Uma das acusações contra eles dizia que haviam envenenado um boi morto, o que causou a morte de vários índios Piutes que o comeram. Também foi alegado que envenenaram as fontes, causando a morte de um grande número de gado e adoecendo os colonos que tentaram se utilizar de sua carne.

 

Os índios estavam bastante irados. Todos os insultos daquelas caravanas foram se acumulando, levando-os a procurar vingança. Em sua mente todos os brancos, com exceção dos mórmons, pertenciam a uma tribo, os “Mericats”, (Nota: gatos selvagens americanos).

 

Sua lei demandava vingança de sangue contra quem quer que os ofendesse. Geralmente a influência dos colonos mórmons era usada para manter a paz e impedir a qualquer custo um ataque contra as caravanas de emigrantes. Desta vez, no entanto, parece que tal medida não foi usada. Muitos dos brancos estavam saturados, com os “Gatos Selvagens do Missouri” por terem chegado a um ponto insuportável suas ações.

 

A 6 de setembro, enquanto os emigrantes instalavam um acampamento na montanha Meadows, a quarenta milhas de Cedar City. foi realizado, naquela cidade, um conselho de líderes mórmons. Foi decidido que um mensageiro deveria ser enviado a Brigham Young, deixando-o ciente da situação. James Haslam, de Cedar City, foi este mensageiro.

Depois de haver lido a mensagem trazida por Haslam. o Governador perguntou-lhe se poderia suportar a jornada de volta. Respondeu afirmativamente. Após haver dormido algumas horas, montou em seu cavalo para a cavalgada de retorno.

 

O Presidente entregou-lhe uma mensagem aberta e disse-lhe: “Vá a toda velocidade, não poupe o cavalo. Os emigrantes não devem ser perturbados, mesmo que tenhamos que lutar para impedi-lo. Eles devem seguir livres e sem serem molestados”.’ Nas instruções levadas por Haslam para Isaac C. Haight, de Cedar City, lemos: “Quanto à passagem das cavalgadas através de nossos povoados, a mesma deverá ser livre, a menos que a notifiquemos para por lá não passarem. Vocês não deverão interferir com eles. Os índios, temos certeza, agirão por conta própria, mas, na medida do possível, tentem proteger os emigrantes”.

 

Haslam chegou em Cedar City a 13 de setembro, conseguindo cobrir, em memorável cavalgada, o percurso de 960 quilômetros em seis dias. Isaac C. Haight, ao ler a mensagem, ficou com os olhos cobertos de lágrimas e disse: “O massacre já estava terminado antes mesmo que eu chegasse em casa” “Tarde demais! Tarde demais!

 

A montanha Meadows se compõe de um estreito vale de 8 quilômetros de extensão, situado a 510 quilômetros ao sul e um pouco a oeste de Lago Salgado. Fica em um platô que forma a borda sul da Grande Bacia. Os emigrantes de Arkansas e Missouri, na primeira semana de setembro de 1857 acamparam do lado sul na parte final do vale, perto de um riacho.

 

Centenas de índios reuniram-se nas proximidades e, ao raiar do dia 8 ou9 de setembro. começaram a atacar os emigrantes, que se prepararam para lutar.

 

Os índios, enquanto isto, enviaram corredores às tribos vizinhas, para reunir guerreiros. Também alguns brancos chegaram à cena do conflito.

 

Foi um massacre planejado e traiçoeiramente levado a efeito. Na manhã de 11 de setembro, uma bandeira de tréguas foi levada ao acampamento dos emigrantes e os termos de rendimento foram propostos. Os emigrantes deveriam entregar as armas. Os feridos deveriam ser conduzidos nos carroções, juntamente com as mulheres e crianças, vindo os homens na retaguarda, em fila indiana. Assim seriam conduzidos até Cedar City. Concordaram com tudo e a marcha foi iniciada.

 

A uma pequena distância do acampamento, a um dado sinal, os homens brancos caíram sobre os emigrantes. Ao mesmo tempo centenas de índios, que estavam escondidos nos arbustos, avançaram sobre a indefesa caravana. A terrível tragédia foi terminada em cinco minutos. Somente três homens conseguiram escapar deste primeiro assalto. Foram perseguidos pelos índios, que logo os mataram. Só as crianças menores foram salvas. Conduziram-nas às casas dos colonos para que cuidassem delas. Mais tarde o Governo dos Estados Unidos providenciou um fundo para protegê-las e transportá-las até seus parentes em Arkansas e Missouri ou para um orfanato em St. Louis.

 

Ao tomarem conhecimento do massacre da montanha Meadows os líderes da Igreja se sentiram chocados. Um grande sentimento de pesar encheu todo o território. Infelizmente, nenhuma investigação radical para trazer os culpados perante a justiça foi levada a efeito naquela época; somente vinte anos mais tarde tal investigação foi realizada. George Smith foi enviado por Brigham Young para investigar o ocorrido logo após o fato haver se consumado, tendo Smith feito um relato e entregue ao Presidente da Igreja em 1858.

 

Aquela altura dos acontecimentos Brigham Young já havia passado toda sua autoridade civil para seu sucessor. Governador Cumming. John D. Lee. o agente dos índios relatou ao Governador sua própria história, mas não foi ordenada qualquer investigação.

 

Brigham Young mostrou ao Governador a urgência de uma investigação, pois estava seguro que diversos homens brancos haviam tomado parte no massacre. Em 1876 assim se expressou Brigham Young: Logo apos haver o Governador Cumming chegado convidei-o para levar o Juiz Cradlehough. que pertencia ao distrito do sul, para junto conosco reunir os homens suficientes para investigar o assunto e trazer os culpados perante a justiça.

 

O Governador Cumming, em face as dificuldades advindas com a “Guerra de Utah” e o perdão aos que haviam ofendido o Governo dos Estados Unidos, nenhuma medida tomou para punir ou mesmo descobrir os culpados do crime.

 

Um grupo de nao-mórmons realizou uma tentativa de culpar Brigham Young pela tragédia. O Juiz Cradlehough tomou a iniciativa do ataque e em 1859 tentou investigar os acontecimentos. De seus esforços, Fornev, o agente índio, relata: ‘Temo e é com receio que digo isto, que há em certos grupos grande ansiedade para culpar Brigham  e outros lideres da Igreja por tudo o que tema acontecido até o momento neste território”

 

Não há desculpa para e que aconteceu na montanha Meadows. A Igreja nada teve a ver com isto, porém, não podendo em absoluto ser culpada se alguns de seus membros, contrariando ordens, tomaram parte em tão estúpido acontecimento. A lei da Igreja foi, desde o inicio, anunciada pelo Filho de Deus: “E agora, eis que eu falo a Igreja. Não matarás:

o que matar não terá perdão nem neste. nem no mundo futuro. E outra vez. digo não matarás:

mas o que matar, morrera. E acontecerá que, se qualquer dentre vós matar, será entregue e julgado de acordo com as leis da terra, pois lembrai-vos de que ele não terá perdão: e isso se provará de acordo com as leis da terral’ (DC. 42:18,19,79).

Fonte: A Igreja Restaurada,

Ed. 1978, cap. 37, pag. 326-328


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