O LADRÃO NA CRUZ FOI SALVO?


 

Este texto é uma transliteração de um dialogo mantido por mim (Irineu) e um Pastor da Igreja Assembléia de Deus (Pastor Airton) num fórum evangélico em 2003.

Ao ser questionado sobre nossa crença de que todos necessitam do batismo e também para aqueles que já morreram a ordenança do batismo pelos mortos para a redenção da humanidade, o Pastor questionou a condição e situação do ladrão arrependido na cruz como "prova" de que mesmo não tendo sido batizado ele fora salvo.

Irineu: Cremos que o ladrão arrependido necessitava - como qualquer outro - do batismo. Quanto a interpretação sobre o ladrão na cruz já ter sido salvo devido a sua confissão terminal a Jesus, mesmo que este lhe houvera dito que ainda naquele dia estaria no Paraíso - e antes de qualquer conclusão apressada - leiamos o que Cristo disse a Maria, somente 3 dias após essa conversa que teve com aquele ladrão: "Não me detenhas, pois ainda não subi para meu Pai" (Jo. 20:17).

Como Cristo já houvera dito aos seus discípulos que Ele iria para a casa de Seu Pai, preparar uma morada para eles (João 14:2), é óbvio que o Paraíso a que Cristo se referiu na cruz ao ladrão, não era o reino de Deus, mas uma condição dos justos no mundo dos espíritos que esperam a ressurreição e o julgamento.

Tenha-se ainda em mente a solicitação do malfeitor: "LEMBRA-TE de mim quando entrares no teu reino".

Por sua vez, Jesus não prometeu a ele que o levaria para SEU REINO naquele dia, mas disse: "HOJE estarás comigo no PARAÍSO".

Sendo que Jesus morreu e só ressuscitou ao 3.º dia, naquele dia - o dia no qual falou com o ladrão - não poderia estar no Seu Reino - que não era o Paraíso - com o ladrão.

Pastor Airton: O reino dos céus, paraíso e céu são palavras que indicam a morada final dos santos e que o "reino de Deus" pode significar não apenas um lugar, mas o "domínio espiritual e moral no qual Deus é supremo"; "não apenas um lugar, mas um estado de bem-aventuranças". Jesus começou seu ministério anunciando a chegada desse domínio do qual participariam todos os que O recebessem.  Veja: "Então chegou a vocês o Reino de Deus" (Mt 12.28). "Venha  o teu Reino" (Lc 11.2); "O Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: ´Aqui está ele´, ou `Lá está´; porque o Reino de Deus está entre vocês" (Lc 17.20-NVI - Em outras versões diz: `O Reino de Deus está dentro de vocês´). O "bom" ladrão certamente leu a inscrição na cruz: "JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS" (Jo 19.19); Talvez conhecesse  as palavras de Jesus, quando disse: "O meu  Reino não é deste mundo" (Jo 18.36). Sabendo disso,  manifestou o desejo de fazer parte desse Reino, no qual ingressou a partir daquele momento, pois, "aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus" (Jo 1.12).

Irineu: Respeito, obviamente sua opinião, Pastor Airton, mas não entendo, nesse dialogo que Jesus teve com aquele ladrão nem Dele falar de um reino que estaria dentro das pessoas, quando aceitasse-NO.

 

Observe que o ladrão diz “quando entrares no Seu Reino”, o que é bem diferente de ter um “reino dentro de si”.

 

Também acredito que o Pastor deixou a possibilidade da existência de um local para este reino quando disse: pode significar não apenas um lugar, ou seja, também pode ser um lugar.

 

É muito claro para mim que o ladrão não foi para o céu, pois o próprio Jesus, na manhã de Sua ressurreição, já tinha dito a Madalena que Ele não tinha ido para lá. Ora, Ele também houvera dito ainda na cruz ao ladrão, que este estaria com Ele NAQUELE DIA no paraíso: "HOJE estarás comigo no PARAÍSO".

 

É claramente dedutível que Jesus ao prometer ao ladrão que este estaria com Ele no Paraíso e, Ele, Jesus, não fora para o Céu, cf. disse para Madalena, fica claríssimo que o paraíso não é o Céu, mas um local distinto para onde vão todos aqueles que partem dessa vida.

 

Portanto, foi para lá que o ladrão foi e não para o Céu. Afinal, o ladrão não poderia chegar primeiro que Jesus...

 

Isso é plenamente coerente com o que relata Pedro da visita de Jesus ao mundo espiritual (paraíso) e satisfaz plenamente a misericórdia de Jesus em socorrer a todos aqueles que o procuram e ao mesmo tempo cumprir com toda a justiça com aqueles que retornarem ao Céu, sem privilégios com esse ou aquele.

 

Pastor Airton: Vamos por partes. "Hoje estarás comigo no paraíso" - Não creio que Jesus, ao responder ao ladrão, tenha prometido uma salvação pela metade, ou seja, uma meia salvação sujeita a passar, primeiro, por uma estação intermediária. Jesus na verdade assegurou ao ladrão arrependido e fervoroso uma felicidade celestial. Não creio também que Jesus tenha ido ao cativeiro dos "espíritos em prisão" num estado de limitação, de vitória não consumada,  antes de vencer a morte pela ressurreição.

 

Irineu: Também não creio que Jesus ofereceu salvação pela metade ao ladrão, como não o fez em todas as suas pregações antes de ir a cruz.

 

O que Ele assegurou ao ladrão que não o conhecera ou o aceitara durante suas pregações foi o mesmo que assegurou para todos que o tinham aceitado em sua pregação antes de chegar a cruz, ou seja, de perseverarem na fé cumprindo com todas as ordenanças necessárias as suas salvações, como tão claramente ensinou ao ordenar: “Aquele que crê e for batizado será salvo”.

 

O qual foi cumprido e registrado nas escrituras, dentre outros, pelos mais exponenciais de seus discípulos, a saber, Paulo, que também foi batizado e Pedro que na festa de Pentecostes pregou conjuntamente com os 12 e no final cumpriu obedientemente com a ordem de Cristo, cf. registram as escrituras: “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e CADA UM DE VÓS seja BATIZADO em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo”(Atos 2:37-38)

 

Portanto, o ladrão para que fosse cumprida toda a justiça, da qual nem mesmo Cristo esquivou-se de cumprir, teria também de ser batizado.

 

Mateus registra: “Jesus, porém, lhe respondeu: Consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele consentiu. Batizado que foi Jesus, saiu logo da água...” (Mat 3:15-16).

 

Veja como a justiça divina é cumprida, não oferecendo privilégios a ninguém, afinal se não fora assim, nós teríamos o ladrão salvo numa condição bem diferente, no que diz respeito as ordenanças tão ensinadas e cumpridas pelos demais salvos, ou seja, teria ele chegado primeiro ao Céu antes mesmo de Jesus e, ainda sequer tinha sido batizado, enquanto todos os outros salvos, como, por exemplo, Pedro, Paulo e o próprio Jesus chegariam só depois...

 

Que coisa estranha, não!?

Fim do debate (não houve mais réplica).