As Edificantes Histórias dos Conversos Negros Africanos


Em Preparação a chegada dos Missionários de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias


 

Pioneiros do Evangelho na África

E. Dale LeBaron,

“Gospel Pioneers in Africa,”

Ensign, Ago/1990, pg 40

Os primeiros conversos negros relatam suas histórias de fé e paciência na busca da Igreja verdadeira de Jesus Cristo.  

Moisés Mahlangu de Soweto, na África do Sul, pacientemente mas com persistência esperou 16 anos pelo batismo. Quando ele fala de sua longa espera para unir-se à Igreja, irmão Mahlangu compara a si mesmo com Cornélio, sobre o qual ele diz: "Foi muito bom esperar para receber a palavra de Deus ou para ser um membro da Igreja até que anjos vieram e lhe disseram o que fazer" (Atos 10:1-7). Hoje, com 63 anos de idade, Moisés é o jardineiro do Templo de Johanesburgo na África do Sul, ao qual freqüenta assiduamente. Ele também é o presidente do quórum de Elderes no Ramo de Soweto.

Irmão Mahlangu é somente um dos muitos africanos que foram abençoados com a revelação anunciada em junho de 1978 pelo Presidente Spencer W. Kimball permitindo as bênçãos do sacerdócio e do templo a todos os homens dignos. A revelação foi de grande significado eterno.

Mais tarde tornou-se evidente que não somente o Senhor havia derramado seu Espírito sobre o profeta, como também por algum tempo estava estendendo seu Espírito aos povos africanos, os quais, por longo tempo, estavam aguardando pelas ordenanças e bênçãos do evangelho.

Eu estava presidindo sobre a única missão na África, em 1978, quando a Primeira Presidência anunciou a revelação sobre o sacerdócio. A revelação não teve um notável e imediato impacto na Igreja na África, devido não haver membros masculinos negros da Igreja na missão. Mas, logo se tornou evidente que o Senhor havia abençoado o povo da África com seu Espírito, da mesma maneira que quando ele derramou seu Espírito sobre o seu povo na época da Primeira Visão de Joseph Smith. Muitos estavam preparados para receber a mensagem do evangelho.

Como um observador das muitas evidências incomuns do poder do Senhor na África, senti uma grande preocupação para que este capítulo da história da Igreja tivesse relatado oralmente, particularmente, porque os negros na África, não acostumados com histórias escritas, mantinham suas histórias verbalmente. Conseqüentemente, durante o verão de 1988, o Centro David M. Kennedy para Estudos Internacionais da Universidade de Brigham Young, me possibilitou retornar para a África e passei 101 dias entrevistando membros em 10 países africanos: Gana, Nigéria, Zaire, Zimbabwe, África do Sul, Ciskei, Transkei, Suazilandia e nas ilhas Maurício e Reunião na costa oeste da África.

Durante este tempo reuni mais de cem estórias orais dos primeiros conversos. Em minhas entrevistas com estes Santos, encontrei evidência de que o Espírito do Senhor guiou, para a Igreja, centenas que estavam buscando a verdade. 

A Igreja foi estabelecida na África do Sul em 1853, apesar disso, mais de um século se passou antes que o trabalho começasse entre os negros, na África, de forma oficial.

Em 1960, Glen G. Fisher retornou da África do Sul após ter lá servido como presidente de missão. A Primeira Presidência pediu-lhe que fizesse uma parada na Nigéria para investigar uns grupos que se organizaram como unidades da igreja, tomando para si o nome d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos últimos Dias. Nos próximos 6 anos, os líderes da Igreja se esforçaram para enviar missionários para a Nigéria, de fato, Presidente David O. McKay ordenou o irmão LaMar Williams para este trabalho. Outros também foram chamados, mas o intento foi abandonado em 1966 por não conseguir obter vistos de entrada.

Apesar dos intentos frustrados no tocante a um trabalho missionário formal, conversos não batizados na África receberam literatura da Igreja e direção inspirada durante aqueles anos até 1978. Estes povos de grande devoção, freqüentemente realizaram extremos esforços para comunicarem-se com a sede da Igreja e suas missões. Sua fé penetrou a escuridão espiritual a medida que compartilhavam seu conhecimento, recentemente encontrado, com seus vizinhos com devota convicção.

Um destes pioneiros que entrevistei em Gana foi Joseph W.B. Johnson que foi convertido após ter lido e orado sobre o Livro de Mormon em 1964. Ele relata que após sua conversão, "um dia de manhã cedo, enquanto estava me preparando para ir trabalhar, vi os céus abertos e anjos com trombetas e cantando hinos de louvor a Deus. Ouvi meu nome ser chamado 3 vezes: Johnson, Johnson, Johnson. Se você abraçar o meu trabalho de acordo com que eu lhe mandar, abençoarei a ti e a tua terra. Tremendo e com lágrimas, respondi: "Senhor, com tua ajuda farei tudo que me mandares." Daquele dia em diante, fui constrangido pelo Espírito para ir de rua em rua pregando a mensagem que li no Livro de Mórmon".

Quando os missionários chegaram 14 anos mais tarde já haviam muitas congregações de membros não batizados que irmão Johnson havia organizado, e que se auto-denominavam A Igreja de Jesus Cristo dos Santo dos Últimos Dias. Alguns destes primeiros conversos depois rejeitaram serem membros na Igreja de forma oficial, mas muitos aceitaram. A fundação, sobre a qual o futuro trabalho missionário seria edificado com grande sucesso, havia sido estabelecida.

Outro pioneiro africano converso é Anthony Obinna da Nigéria. Ele conta a seguinte estória que ocorreu no final dos anos 60: "Uma noite, eu estava dormindo, quando um homem alto veio a mim num sonho, levou-me para um dos mais lindos edifícios, e mostrou-me todas as dependências". Em 1970 ele leu um artigo numa velha edição de 1958 da revista Seleções intitulada "A Marcha dos Mórmons", a qual incluía uma foto do Templo de Salt Lake City. Irmão Obinna relata: "Este era exatamente o mesmo edifício que havia visto em meu sonho." Irmão Obinna escreveu para a Igreja pedindo literatura.

Em 1978, quando a família Obinna ouviu sobre a revelação do sacerdócio, escreveram para a Primeira Presidência: "Estamos felizes pelas muitas horas que o senhor passou nas salas superiores do templo, suplicando ao Senhor para trazer-nos ao redil. Agradecemos ao Pai Celestial por ouvir as suas e nossas orações....Te agradecemos por estender o sacerdócio... para preparar-nos para receber todas a bênçãos do evangelho".

Quando os missionários chegaram na Nigéria, encontraram muitas pessoas preparadas para receber o evangelho como resultado da liderança e ensino do irmão Obinna. A primeira capela SUD construída na Nigéria fica perto da casa da família Obinna, em Aboh Mbaise no estado de Imo.

Adjei Kwame também foi preparado para o evangelho e guiado para a Igreja. Ele aceitou uma posição como professor em Gweru, Zimbabwe, onde começou a experimentar sentimentos espirituais. "Eu estava procurando pela igreja verdadeira," disse ele, "Eu comecei a ter sonhos sobre um edifício da Igreja. Quando passei por Kwe Kwe, Zimbabwe, vi o edifício e tive vontade de entrar para saber o que continuava repetindo em meus sonhos todo tempo". Quando ele foi para a igreja, um domingo, ele sentiu que esta era a igreja verdadeira e que ele deveria fazer parte. "Sentí que estava realmente entre pessoas que conhecia ha muito tempo atrás e eram bons amigos."

Quando ele veio para a igreja pela primeira vez, os membros do Ramo Kwe Kwe estavam prestando seus testemunhos. Irmão Kwame foi para o púlpito e disse para a congregação que ele acreditava em Deus e queria ser membro da Igreja. Ele, mais tarde, se reuniu com Sister Hamstead que era a esposa do presidente da missão. "O que realmente desceu sobre nós dois não posso explicar, só sabia que estava chorando. Não posso expressar o que sentia. Estava livre de todos os meus problemas. Senti que havia ido a um lugar que visitava amiúde e agora me sentia em casa."

Um dos primeiros conversos em Gana foi o Dr. Emanuel Abu Kissi. Ele batalhou a maior parte de sua vida em busca de realização espiritual. "Lí a Bíblia várias vezes e esperava algo mais do que as igrejas estavam realizando, senti que as igrejas eram vazias, apesar de saber que o Cristianismo não o era. Cheguei à conclusão de que deveria haver algo mais do que elas estavam nos ensinando, mas que eu ainda não havia encontrado."

Depois de completar a faculdade de medicina, Dr. Kissi continuou a estudar a Bíblia com o desejo de encontrar a igreja que satisfizesse sua idéia sobre o que uma pessoa deveria ser. Ele foi para a Inglaterra com uma bolsa de estudos. Durante seu segundo ano naquele país, sua esposa sofreu com muitos problemas de saúde por muitos meses. Ela teve que deixar seu trabalho de enfermeira num hospital e permaneceu em casa. Ele ficou surpreso quando sua esposa lhe telefonou um dia, para dizer-lhe que estava pronta para retornar ao trabalho. Ela explicou que dois jovens tocaram sua porta e se apresentaram como missionários pregando a palavra de Deus. Durante a seguinte palestra, irmã Kissi pediu-lhes que lhe desse uma benção. Dr. Kissi relata: "Eles vieram e a ungiram." "Ela disse que durante a unção, sentiu algo como uma corrente elétrica dentro de si que ia dos pés à cabeça e, quando eles terminaram, estava curada imediatamente."

Dr. Kissi leu o Livro de Mórmon, "Jesus, o Cristo" e "Uma Obra Maravilhosa e Um Assombro". Ele se identificou fortemente com o testemunho do Profeta Joseph Smith dizendo: "Concluí que Joseph Smith teve o mesmo problema que eu tinha, A Primeira Visão foi confortante para mim. Coloquei-me em seu lugar e desfrutei de cada momento de sua experiência, não me foi difícil entender-lhe."

Dr. Kissi e sua esposa regressaram a Gana após seus batismos e fundaram o Hospital Deseret em Accra. Dr. Kissi serviu como conselheiro na presidência da missão em Gana.

Ao coletar histórias dos primeiros conversos da Igreja, também recolhi relatos de serviço e sacrifício de outros recém conversos.

Em 1979, Pricila Sampson-Davis e seus filhos entraram para a Igreja em Gana. Como resultado de sua fé e encorajamento, seu filho mais velho abandonou o sonho de sua vida e, deixou a bolsa de estudos de quatro anos num seminário Anglicano para ser batizado na Igreja. Vinte meses depois ele foi um dos primeiros missionários de tempo integral a servir na África Ocidental.

Um domingo, após a reunião sacramental, irmã Sampson-Davis teve uma visão. Foi como se ela estivesse na reunião sacramental novamente e, uma pessoa vestida de branco parou em sua frente, e fez um sinal para que ela se aproximasse. "Eu fui e parei ao seu lado. Ele me pediu que virasse ao redor e olhasse as faces das pessoas para ver se todos estavam desfrutando da reunião. Eu vi que alguns baixaram suas cabeças. Ele então me perguntou:  Porque alguns deles não estavam cantando? Lhe respondi: "Porque eles não foram para a escola e não podem ler Inglês, não podem cantar e por isso baixam suas cabeças." "Então ele disse: Não gostarias de ajudar seus irmãos e irmãs que não podem ler e não podem contigo cantar louvores ao Pai Celestial?" Apesar de que ela não podia escrever bem Inglês, respondeu: "Eu tentarei."

A visão terminou e imediatamente ela começou a traduzir o hino Cantando Louvamos (Redeemer of Israel), para Akan (Fante), a língua de 85% dos habitantes de Gana. Irmã Sampson-Davis também traduziu filmes e panfletos missionários, os livros "Princípios do Evangelho", "Histórias do Livro de Mórmon" e o Livro de Mórmon. Ela agora está traduzindo o livro de Doutrina e Convênios e Pérola de Grande Valor. Ela presta seu testemunho que o Espírito Santo tem sido seu mestre e guia nestes projetos importantes.

Outro converso recente, Celestino Onuka, entrou para a Igreja na Nigéria. Após estudar muitas religiões e as escrituras, ele estava perturbado pelos ensinamentos de muitas igrejas que não estavam de acordo com a Bíblia. Ao receber o Livro de Mórmon, irmão Onuka leu e pode sentir sua verdade e pediu para ser batizado. Mais ou menos nesta época ele encontrou outro exemplar do Livro de Mórmon que seu pai tinha lido e marcado antes de sua morte, quando irmão Onuka tinha somente sete anos de idade. Ele também encontrou uma correspondência proveniente da sede da Igreja demonstrando que seu pai planejara entrar para a Igreja e ir estudar em Utah. O irmão Onuka foi o segundo nigeriano a servir uma missão, durante a qual participou de mais de 700 batismos.

Os membros estão entusiasmados e desejosos de compartilhar a nova fé encontrada com seus semelhantes.

Dr. Clemente Nwafor, por exemplo, foi exposto ao evangelho através do pai de um de seus pacientes. Dr. Nwafor é o Diretor Médico do governo para mais de um milhão de nigerianos e é um proeminente e popular cidadão na área de Aba na Nigéria. Quando um membro levou sua filha ao Dr. Nwafor para um exame médico, ele disse ao Dr. Nwafor que, a despeito de seus títulos e posições, a ele ainda faltava uma coisa: "servir o Senhor que lhe havia trazido para este universo." Pouco tempo após aquela ousada declaração, Dr. Nwafor aceitou o evangelho. "Eu me senti como uma nova pessoa," disse ele, "Me sentia como se houvesse nascido de novo." Em menos de 6 meses após seu batismo, Dr. Nwafor foi apoiado como  membro do sumo conselho, quando Elder Neal A. Maxwell organizou a primeira estaca na África ocidental na cidade de Alba na Nigéria, no dia 15 de maio de 1988.

Assim como nos primeiros dias logo após a restauração do evangelho, a Igreja na África  cresceu rapidamente a medida em que os conversos compartilhavam a mensagem com seus amigos e parentes. Dez anos após a revelação do sacerdócio, presidentes de missão reportaram aproximadamente 17.000 Santos negros na África. O Senhor estava verdadeiramente convidando "a todos para que venham até ele e participem de sua bondade; e nada nega aos que o procuram, seja branco ou preto, escravo ou livre, homens ou mulheres; e lembra-se dos pagãos; e todos são iguais perante Deus." (2 Néfi 26:33).

É evidente que o Senhor ama o povo da África e deseja abençoar esse povo paciente. A Igreja está causando um grande impacto na vida destes africanos e eles, em retorno, continuarão a manter um grande impacto na Igreja. Isto é ilustrado através de um sonho que me foi relatado por Jude Inmpey da área de Alba na Nigéria. Ele sonhou que estavam tocando um órgão num grande evento social, mas o órgão não estava soando bem. Após uma investigação, averiguaram que o organista só tocava com as teclas brancas. A interpretação lhe veio algum tempo depois numa reunião na Igreja em que disse: "A Igreja, por muitos anos, estava tocando as teclas brancas no teclado e, agora eles estão tocando ambas as teclas, brancas e pretas, e o som é muito mais doce."

Tradução: Irmão Oswaldo Moura


Ver também Nigéria e Gana: Um Milagre Precede os Mensageiros

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