Nigéria e Gana:

Um Milagre Precede os Mensageiros


A História de Como A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias Chegou na África



Janet Brigham, Setembro de 1980

 

Por anos, cartas chegaram à Sede da Igreja em Salt Lake City – simples e eloqüentes pedidos por “livros santos”, por informação sobre a Igreja.

De onde provinham aquelas cartas? Nigéria e Gana, na África Ocidental.

E quem foram os autores daquelas cartas?

Humildes cristãos africanos, buscadores da verdade que sabiam um pouco sobre a Igreja, mas que necessitavam saber mais. A medida que as literaturas eram enviadas a grupos e indivíduos em cidades e vilarejos, aqueles negros africanos oravam pelo dia em que o evangelho lhes fosse pregado pelas bocas dos missionários. Aquele dia finalmente chegou em novembro de 1978 quando dois casais, Elder e Sister Rendell N. Mabey e Elder e Sister Edwin Q. Cannon Jr., foram enviados para lá como representantes da Missão Internacional para a Nigéria e Gana.

Desde então 1.700 conversos foram batizados. Sister Raquel Mabey, esposa de Elder Mabey diz simplesmente, “O Senhor preparou o povo. Eles são um povo espiritual e honesto.” Os casais Mabey e Cannon não tomam para si o crédito pelas conversões devido ao seu proselitismo, eles vêm a mão do Senhor claramente nas vidas dos conversos.

A história começa pelo menos 18 anos antes. Foi nessa época que Elder Cannon diz que, “um fenômeno extraordinário” começou a ocorrer na África Ocidental. Africanos souberam da Igreja através de outros africanos que estudaram nos Estados Unidos. Eles encontraram alguns panfletos missionários, ninguém na realidade sabe como estes panfletos chegaram na África na década de 1950, mas seu efeito foi extraordinário.

Então, independentemente uns dos outros e sem conhecimento do que os demais estavam realizando, vários grupos de negros na Nigéria e Gana, começaram suas próprias organizações religiosas seguindo o padrão da Igreja. Entretanto, problemas com vistos impossibilitaram que a Igreja pudesse enviar representantes para estabelecer a Igreja oficialmente. Estes grupos construíram pequenas capelas e se reuniam regularmente. Eles copiaram a organização, doutrinas, hinos e cargos seguindo o padrão da Igreja de acordo com o que eles podiam discernir seguindo as literaturas que recebiam. Em certas ocasiões eles mantiveram contato com membros da Igreja que estavam visitando a África.

Os africanos até proselitismo faziam. Um homem, certa vez, depois de uma experiência espiritual, foi constrangido pelo Espírito para ir de rua em rua, pregando a mensagem que havia lido no Livro de Mórmon e nos panfletos e, apesar de algumas perseguições e ter sido rotulado como uma “organização anti-cristã” os “missionários” não esmoreceram.

Um homem relatou que: “Nós persistimos com a palavra e 40 pessoas foram convertidas naquele dia até para a admiração dos Muçulmanos ao redor.” Os “missionários” e seus 40 conversos se reuniram para aprender as doutrinas da Igreja e mais tarde, “ganharam outros 47 adeptos”.

Tais experiências não eram incomuns dentre os grupos independentes os quais, sem autoridade, se organizaram em nome da Igreja. Grupos na Nigéria e em Gana, sem qualquer conhecimento das atividades uns dos outros, se registravam em seus países respectivos sob o nome d´A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Líderes da Igreja em Salt Lake City tomaram conhecimento da devoção destes Africanos. Cartas como esta chegavam freqüentemente:

“Por favor, me disseram muito sobre como esta grande igreja restaurada foi fundada por nosso grande profeta Joseph Smith e eu estou ansioso por saber mais a respeito disso através da leitura de livros sobre isto. Eu ouvi sobre o Livro de Mórmon, o qual foram boas novas reveladas e dadas para Joseph Smith no Monte Cumora. Eu ficaria muito feliz se uma cópia do Livro de Mórmon fosse enviada a mim para que eu leia mais sobre as palavras que o Senhor deu...... De fato gostaria de me tornar um puro Mórmon e por isso eu quero saber mais sobre
Mórmon.... o pouco que nossos élderes e pastores nos disseram aqui em Gana tem me dado o entendimento para ver a luz em algum lugar.”

“Eu sempre fico feliz quando canções e hinos como “Vinde, Ó Santos, Ó vem Supremo Rei e algumas canções de Sião são cantadas nas reuniões da igreja. De fato, eu gostaria de estar aí com vocês para compartilhar destas coisas alegres que vocês jubilam em Cristo”. Esta carta foi escrita por Emanuel Bondah que estava naquela época no sexto grau escolar.

Outro escreveu: “Nós somos verdadeiros filhos de Deus, mas nossa cor não faz diferença no serviço de Nosso Pai Celestial e Cristo. O Espírito de Deus nos chama para habitar mas nesta igreja não existe nada que nos deixe fora.” O autor desta carta, Anthony Obinna, foi mais tarde o primeiro negro da África Ocidental a ser batizado e chamado como Presidente de Ramo. Mas antes que isto acontecesse, dificuldades com vistos tiveram que ser resolvidos e a guerra de Biafra tornou a situação ainda mais complexa.

Em agosto de 1978, Elder Cannon e Merril Bateman do corpo docente da Universidade de Brigham Young foram enviados pela Igreja numa viagem para coletar dados dos grupos da Nigéria e Gana. Eles retornaram com recomendações para que a Igreja seguisse adiante. Dentro de poucos meses Elder Cannon e sua esposa, Jannath foram chamados junto com casal Mabey como representantes especiais para a África Ocidental.

Os casais imediatamente procuraram aqueles que já possuíam conhecimento sobre a Igreja. Eles foram recebidos de maneira calorosa e entusiástica tanto pelos que conheciam a Igreja como pelos que não a conheciam. Os casais puderam comunicarabertamente sobre o evangelho e em muitas vezes em Inglês.

“Um dos maiores fatores no sucesso da Igreja naquele lugar foi o uso do idioma Inglês.” Relatou a Sister Cannon. “E o povo queria literatura. Eles estavam famintos por panfletos e material de leitura. Por anos missionários Católicos e Protestantes da Inglaterra estabeleceram missões em hospitais e escolas em Gana e Nigéria, razão pela qual muitos dos povos nativos eram Cristãos e alfabetizados no idioma Inglês.”

“Nós apreciamos a tradição de respeito por missionários Cristãos.” Expressou Sister Cannon.

Elder Mabey relata como ele saudava os africanos que investigavam a Igreja: “Nós iríamos trazer as saudações de Presidente Kimball e dizer-lhes que não tínhamos nada mais que ofertar-lhes exceto salvação e vida eterna. Nós não lhes estávamos fazendo promessas de coisas mundanas.

Nós lhes dizíamos que sabíamos que o mundo estava cheio de povos de todas as cores e todos os tipos de cultura e não pensávamos que éramos homens brancos no meio deles. Nós dissemos que todos éramos filhos de Deus que eram amados por nosso Pai Celestial.”

Aqueles que já sabiam alguma coisa sobre a Igreja eram humildes e desejosos em abandonar suas cruzes e pratos de coleta a medida que aprendiam as práticas e doutrinas da Igreja de maneira mais completa, Eles sacrificavam ambos tempo e dinheiro.

Em muitos lugares onde os representantes batizavam, membros providenciaram capelas já construídas anteriormente por africanos. Elder Mabey descreve, em um relatório, o edifício em Sekondi, Gana:

“Uma capela de paredes de reboco, telhado de zinco e piso de cimento,... um piano velho, alguns bancos de madeira e várias gravuras da Igreja serão preservados. De interesse um letreiro rústico se encontra num lado de fora da capela que lê: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, fundada em 1830. O letreiro e o edifício desde então foram repintados de maneira atrativa.”

No vilarejo de Ikot Evo na Nigéria, a Igreja realizava suas reuniões num edifício que tinha um letreiro: “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos Dos Últimos Dias, Inc.” “Aquele edifício tem uma capacidade para aproximadamente 250
pessoas. O dia em que o Ramo foi organizado, estavam presentes 218 pessoas na reunião sacramental. A capela foi construída e pertence ao povo que agora foi confirmado como membros.” Disse Elder Mabey.

“Alguns destes edifícios excederam sua capacidade alguns meses atrás. Algumas congregações que superlotaram se reúnem do lado de fora de suas capelas.”

Os irmãos Mabey e Cannon não tiveram tempo para se reunir com todas as congregações que se reúnem em nome da Igreja. Em um caso em particular, eles se reuniram com a “igreja mãe” mas não puderam se reunir com os 15 “ramos” daquela congregação. Tal trabalho foi deixado para representantes futuros.

Sister Cannon explica como, em boa fé, estas pessoas tentaram adotar a Igreja antes da chegada dos representantes:

“O que estas congregações fizeram foi usar o nome da Igreja. Muitos deles sabiam algo sobra a doutrina da Igreja, mas eles não sabiam dos costumes da Igreja, então eles transferiram o tipo de serviço tradicional dos Protestantes Pentecostais para o que eles estavam realizando na Igreja.

Eles usavam pratos de coleta, muita haleluia Pentecostal, canções, danças e tambores. Isto era obviamente muito satisfatório para eles. E, para nós simplesmente ir e dizer, “Voces não podem fazer isto,” não era o suficiente. Nós tínhamos que dizer-lhes o que podiam fazer e como eram as reuniões da Igreja, e isto leva tempo. Eles não somente tinham que aprender coisas novas mas também desaprender muitas das coisas passadas.”

Apesar de que tais práticas não são comuns nas reuniões da Igreja, Elder Cannon explica: “Muitas delas não são contra a doutrina da Igreja. Por exemplo, uma prática que eles têm é que a medida que você está conversando com eles e você menciona algo que particularmente concordam, eles imediatamente dizem, Amém!”

Os representantes da capela que se encontravam em Costa do Cabo, Gana, incluíram uma estátua do Anjo Morôni em tamanho natural, “obviamente copiada, de uma ilustração, por algum escultor local exatamente como aparecia na capa do Livro de Mórmon, com a trombeta em seus lábios em pé sobre uma esfera”, relatou irmão Cannon. “Uma Bíblia de capa preta e um Livro de Mórmon foram pintados no púlpito. Também estavam exibidas pinturas de Joseph Smith e uma gravura do Coro do Tabernáculo.”

Certa vez, seguindo uma inspiração, os representantes tomaram um taxi rumo a um vilarejo distante 30,5 quilômetros da cidade nigeriana de Owerri, em busca de um homem que eles souberam estar interessado na Igreja. Seguindo as instruções de um nativo, eles dirigiram diretamente a “um pequeno edifício que tinha um
letreiro na frente, ‘Missão S.U.D. Nigeriana‘.” Elder Cannon diz: “Nós sabíamos que havíamos chegado.” Os fundadores daquela “missão” foram futuramente batizados na Igreja.

Aqueles que se batizaram na Igreja deixaram para trás a igreja de imitação que anteriormente estabeleceram. Ex-“pastoras” e “profetisas” são agora presidentes da Sociedade de Socorro.

Estes novos Santos Africanos não são pessoas ocidentalizadas, apesar de que muitos falam Inglês e vestem roupas ocidentais. A maioria deles vivem de uma maneira muito mais simples que as culturas ocidentais, mas o povo tem orgulho de sua limpeza, aparência e hospitalidade.

Apesar de que rodovias modernas estejam sendo construídas na África, outras estradas são freqüentemente “miseráveis.” Distâncias são longas e dirigir é muitas vezes difícil e perigoso. Algumas vezes encontrar gasolina é um problema.

Má comunicação também diminui o ritmo do crescimento da Igreja. O serviço telefônico é freqüentemente inexistente ou inadequado e telegramas não são confiáveis. Cartas podem levar semanas para ir de um estado a outro.

Tais condições são desafios, mas os representantes e membros se empenham em não permitir que se tornem obstáculos. A amabilidade do povo em Gana e Nigéria compensam as outras dificuldades. Os casais reportaram ao Presidente Spencer W. Kimball:

“Nós nunca estivemos em nenhum outro lugar no mundo em que seja tão fácil falar com um estranho sobre o evangelho, as oportunidades estão em todos os lados. Nós não necessitamos ir de porta a porta, só necessitamos ter nossos panfletos à mão. Até mesmo pessoas ocupadas andando nas ruas param para escutar. Trabalhadores em construções levam consigo, em suas mãos, os panfletos por longos períodos de tempo, se regressamos uma hora ou mais depois, não será incomum vê-los continuando a ler.” (veja a revista Ensign de maio de 1979, pg.
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Líderes da Igreja em Salt Lake City têm visitado os membros novos em Nigéria e Gana. Elder James E. Faust realizou uma visita em fevereiro de 1979, e o Bispo Presidente Victor L. Brown fez uma visita em abril de 1979 para determinar as necessidades temporais dos membros novos. John Cox, representante regional de Inglaterra, visitou Gana.

Apesar de que os Santos Africanos estejam a meio mundo de distancia da sede da Igreja, e apenas estejam iniciando sua participação em programas da Igreja como a Sociedade de Socorro, sua fé é forte. Para eles, fé é baseada nos anos de esperança, que agora se concretizaram.

Tradução: Irmão Oswaldo Moura


Ver também As Maravilhosas Histórias, Sonhos e Visões dos Conversos Negros Africanos

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