O PODER DO EXEMPLO

Carlos Perez (membro da Igreja no Equador)

 


Quando terminei o ensino médio, entrei para o exército equatoriano a fim de prestar um ano de serviço militar. Ao fazer as malas, incluí um exemplar do Livro de Mórmon e um hinário. Naquela época, não tinha idéia de como aquele Livro de Mórmon afetaria minha vida.

Fui designado para uma companhia de 104 homens e, depois de observar o comportamento deles, concluí que eu era o único membro da Igreja. Eu queria ser um bom exemplo; por isso, tentava executar o melhor possível qualquer tarefa que me dessem.

Era quase impossível arranjar tempo para ler as escrituras. Tínhamos apenas quinze minutos para ficar prontos para o almoço e meia hora de tempo livre à noite. Nesse horário, eu lia O Livro de Mórmon.

Não percebi que as pessoas estavam me observando, mas elas logo descobriram que eu era membro da Igreja. No começo, zombaram de mim, mas eu sabia que suas palavras não poderiam afetar-me. Todos os dias eu tentava colocar em prática o que lera no Livro de Mórmon.

Um dia, enquanto lia, a escritura em 3 Néfi 12:16 chamou-me muito a atenção: "Portanto fazei brilhar vossa luz diante desse povo de tal forma que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está no céu". Pedi ao Pai Celestial que me ajudasse a ser um exemplo para as outras pessoas. Com o tempo, ganhei o respeito dos oficiais e dos homens da minha companhia.

Meu serviço no exército estava indo muito bem até o dia em que um amigo meu descobriu que o retém do seu rifle automático havia desaparecido. No meu país, é um crime seriíssimo contra o governo roubar uma coisa assim, e resulta em prisão. Toda a nossa companhia procurou a peça durante três dias, o tempo que nos deram para encontrá-lo. Não olhei no meu armário onde guardava as botas porque não tinha sido eu que o pegara.

O capitão da companhia, membro de uma igreja evangélica, autorizou uma revista em todos os armários. Todos os membros da companhia estavam presentes quando inspecionaram o meu. Fiquei surpreso quando encontraram a peça desaparecida dentro do meu armário. Eu não tinha idéia de como ele tinha ido parar lá.

Foi um momento terrível para mim. Eu sabia que aquele oficial poderia mandar-me para a prisão. Os membros da
minha companhia estavam parados em volta, olhando, preocupados com o que iria acontecer comigo. Fez-se silêncio
enquanto esperávamos o que o capitão iria dizer. Ele me chamou para perto dele e, em voz baixa, pediu-me uma explicação. Tudo o que pude dizer foi: “Eu não sei”.

Ele olhou-me, depois disse as seguintes palavras: “Sei como você tem-se portado todo esse tempo, e sei que você não fez isso”. Então, um outro oficial disse ao capitão: “Eu também tenho certeza de que esse soldado é inocente”. Um por um, todos os oficiais vieram falar comigo e oferecer seu apoio. Até aquele momento, eu não havia percebido realmente a bênção da obediência ou o poder do exemplo.

Não pude conter as lágrimas. Percebi o poder que o Salvador tem de proteger-me. Eu sabia que Ele estava a meu lado. Devido a essa experiência, o versículo em 3 Néfi que tanto havia chamado a minha atenção antes, ficará gravado na minha mente para sempre. Sou grato ao Livro de Mórmon por ter-me ensinado a ser uma luz e um exemplo.

Alguns dias depois, um dos meus amigos da companhia veio contar-me que conhecera dois missionários e que iria ser batizado na semana seguinte na cidade de Guayaquil. Fiquei imensamente feliz quando o vi filiar-se à Igreja. Tempos depois, servi como soldado de tempo integral para o Senhor, pregando o evangelho como missionário na missão Equador Quito. Sei que Jesus Cristo vive e é nosso exemplo perfeito.

Fonte: Liahona Fevereiro de 2001


Deseja comentar?