O BATISMO PELOS MORTOS

 


Capítulo 8

 
----- Original Message -----
From: "irineu" <irineu2@uol.com.br>
To: <defesadafe@yahoogrupos.com.br>
Sent: Friday, November 22, 2002 7:00 AM
Subject: [Apologética Aplicada] Yuri - batismo

Prezado Yuri,

Podemos retomar o assunto sobre o batismo?

Vc pediu-me a minha opinião sobre o batismo e já apresentei-a, entretanto ainda não tive a sua. Poderia tê-la?

Obrigado,

Irineu
 

----- Original Message -----
From: Defensor da Fé
To: Apologética
Sent: Saturday, November 23, 2002 12:09 PM
Subject: [Apologética Aplicada] Batismo pelos Mortos II - Apologética
 
Querido Irineu e demais apologistas
 
Vamos vasculhar um pouquinho da Bíblia e do Livro de Mórmom!!!
 
Olhando o contexto de I Cor.15:29 não vemos razões para se justificar o Batismo pelos Mortos. Pelo contrário: Vejo neste contexto razões para rejeitarmos esta prática (para quem chegou agora esta é uma prática adotada pelos mórmos onde os vivos fazem uma cerimônia onde simbolicamente batizam-se pessoas mortas). Mas talvez falaremos disto em outra ocasião.
 
Agora no Livro de Mórmom: Em Alma 34.31 a 35 está escrito: "Pois eis que esta vida é o tempo para o homem se encontrar com Deus...E agora, como vos disse antes, já que haveis tido tantos testemunhos, peço-vos, portanto, que não deixeis o dia do  arrependimento para o fim; porque depois deste dia de vida, que nos é dado para nos prepararmos para a eternidade, eis que se não aproveitarmos nosso tempo virá a noite tenebrosa, durante a qual nenhum labor poderá ser executado. Porque, se protelardes o dia do vosso arrependimento para o dia da vossa morte, eis que vos tereis submetido ao espírito do diabo, que vos selará como coisa sua."
 
Vejamos: O próprio Livro de Mórmom diz que a salvação deve ser buscada em vida e após ela "nenhum labor poderá ser executado". Então como justificar este batismo????
 
Uma perguntinha: Depois de cruxificado, o ladrão da cruz foi batizado?
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Yuri Eloi
Defensor


 

----- Original Message -----
From: Defensor da Fé
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Saturday, November 23, 2002 11:44 AM
Subject: [Apologética Aplicada] Batismo pelos Mortos I
 
Prezado Irineu
 
Após um longo silêncio, vamos retornar ao nosso bate-papo.
 
Vc me deixou numa siuação difícil (caso do hindú, bandido arrependido e esquimó). Mas vou usar suas sábias palavras para elucidar este caso: "Veja, se eles em suas vidas mortais não tiveram elementos suficientes para decidirem por uma aceitação de Jesus, penso que nosso Pai Celestial certamente terá uma abordagem ou julgamanto diferenciado com eles. Deus conhece o coração de cada e seus limites e, sabe avaliar de acordo com o contexto onde cada um esteve inserido. É muito dificil essa questão de julgar os outros pelo que nossos sentidos avalizam. Os sentidos podem enganar-nos, o que não aconteceria com Deus."
 
Como será este julgamento??? Não sei como mas Deus, que é JUSTO, saberá fazê-lo. Mas fazermos batismos pelos mortos creio que não seja aprovado por Deus (as razões seguirão em outra msg-não - quero mandar msg grandes!!!)
 
Por outro lado, devemos sempre ter em mente que o afastamento de Deus foi algo que O HOMEM, procurou. Então devemos arcar com as consequencias disto.
 
Creio no batismo como uma uma forma de tornarmos pública nossa fé em Jesus pois quando somos mergulhados na água, somos sepultados com Cristo e quando nos levantamos dela, fala da nossa ressureição com Ele.
 
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Yuri Eloi
Defensor

 

 

----- Original Message -----
From: irineu
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Sunday, November 24, 2002 9:14 AM
Subject: [Apologética Aplicada] Batismo pelos Mortos - A Ordenança

 

Prezado Yuri,

 

Não resta dúvida alguma que o Senhor conhece todas as coisas e Seu julgamento é justo e preciso.

 

A minha citação reproduzida por vc, entretanto não se refere a ordenança do batismo, mas sim ao fato de buscarmos por nós mesmos julgar as pessoas. Portanto é assim que a citação deva ser entendida já que foi uma resposta minha a uma pergunta sua assim contextualizada, ou seja, na questão do julgamento e não do batismo em si.

 

É muito importante ter-se em mente que o Senhor deixou muitos de Seus ensinamentos como mandamentos. Um deles, sem sombra alguma de dúvida é o batismo, como já anteriormente explicitei em mensagens para o Eduardo Honorato. O batismo é uma ordenança pronunciada e exemplificada diretamente por Jesus: Além de pessoalmente ter-se submetido a ela, ele a enfatizou ordenando: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc 16:15-16).

 

Existem mitos outros textos que explicitam a ordenança do batismo, mas vou ficar com a ação e as palavras de Jesus, o nosso Mestre.

 

Crendo no exemplo de Cristo e no Seu mandamento acerca do batismo fica muito claro que não se pode voltar à presença de Deus sem esta ordenança. Penso que não cabe aqui nenhuma dúbia interpretação ao exemplo e ordem de Jesus quanto ao batismo.

 

O batismo, portanto não é para ser entendido apenas, mas para ser obedecido.

 

Então vem a pergunta óbvia: O que acontecerá com aqueles que não se batizaram porque não conheceram a Cristo?

 

Ora, sendo o batismo uma ordenança necessária – segundo Jesus – a Igreja já houvera instituído, já na época de Paulo, a ordenança em favor dos mortos como o próprio Paulo de forma inequívoca relembrava aos Coríntios que praticavam esse batismo pelos mortos e contraditoriamente estavam renegando a ressurreição de Cristo.

 

É muito clara a assertiva de Paulo ao usar como exemplo contrastante a própria ordenança do batismo em favor dos mortos que eles, coríntios, praticavam, para ratificar a doutrina da ressurreição de Cristo – que é a base fundamental de nossa fé - que salta aos olhos de forma nítida e coerente o sentido de Paulo ao dizer: “Se absolutamente os mortos não ressuscitam, porque então se batizar por eles?”

 

Ora, qualquer um que ler o capítulo 15 de 1Coríntios entenderá claramente que Paulo estava chamando a atenção dos membros da Igreja em Corinto pelo fato de estarem desacreditando na ressurreição de Cristo e por isso ele usa a própria ordenança sagrada do batismo pelos mortos como um exemplo forte e indiscutível de que a ressurreição está explicitada na ordenança do batismo pelos mortos que eles mesmos praticavam.

 

Portanto, seria irracional, eles fazerem uma coisa e em seguida negarem o fundamento, ou seja, a ressurreição,  daquilo que estavam fazendo, a saber, o batismo em favor dos mortos. Paulo sempre foi um homem extremamente sábio e instruído na palavra de Deus e esse tipo de argumentação é uma característica marcante nele.

 

Hoje, nós os vivos, portanto, necessitamos efetuar o batismo pelos mortos que morreram ser tomar conhecimento das boas novas do Cristo ou que não tiveram plenas condições - segundo os julgamentos de Deus - quando ainda vivos para fazê-lo. E nessa situação existem milhões de pessoas de todas as épocas que viveram nessa Terra e nunca ouviram falar de Cristo. Essas pessoas – as quais não sabemos que circunstancias levaram a não conhecerem o evangelho, por isso a minha citação que vc reproduziu – também têm o direito de receber o batismo, pois se aceitarem as boas novas de Cristo Jesus no mundo espiritual também terão o direito de voltarem a viver com Deus.

 

A sagrada ordenança do batismo pelos mortos atende perfeitamente a justiça e a misericórdia divinas e nesse contexto é inegável que a melhor resposta para essa situação está na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

 

Portanto, não entendo o batismo como vc citou: "Creio no batismo como uma forma de tornarmos pública nossa fé em Jesus",

mas, como um dos mais claros e inequivocos mandamentos do Senhor, válido para todos, sejam vivos ou mortos, afinal as escrituras sobre Jesus ainda enfatizam: "Este nos mandou pregar ao povo, e testificar que Ele (Jesus Cristo) é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos" (Atos 10:42).

 

Em seguida, num outro post, comento a respeito do ladrão na cruz que ao contrário do muitos imaginam não foi para o Céu.

 

Fraternalmente aguardo seus comentários sobre isso que escrevi.

 

Irineu

 

 

----- Original Message -----
From: irineu
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Sunday, November 24, 2002 2:07 PM
Subject: [Apologética Aplicada] Batismo pelos Mortos - Ladrão na Cruz

 

Prezado Yuri,

 

Dando continuidade ao assunto do Batismo pelos mortos que vc iniciou, acresço um pouco mais nesse novo post.

 

Vou iniciar pela sua pergunta: Uma perguntinha: Depois de cruxificado, o ladrão da cruz foi batizado?

 

Quanto a interpretação sobre o ladrão na cruz já ter sido salvo devido a sua confissão terminal a Jesus, já que este havia lhe dito que ainda naquele dia estaria no Paraíso - e antes de qualquer conclusão apressada - leiamos o que Cristo disse a Maria, somente 3 dias após essa conversa que teve com aquele ladrão: “Não me detenhas, pois ainda não subi para meu Pai” (Jo. 20:17).

 

Como Cristo já houvera dito aos seus discípulos que Ele iria para a casa de Seu Pai, preparar uma morada para eles (João 14:2), é óbvio para qualquer um que o Paraíso a que Cristo se referiu na cruz ao ladrão, não era o reino de Deus, mas uma condição dos justos no mundo dos espíritos que esperam a ressurreição e o julgamento.

 

O mundo espiritual tem duas divisões para os justos e injustos, chamadas às vezes de céu e inferno, Paraíso e Prisão, Sheol (Seio de Abraão) ou Hades (inferno).

 

Veja a parábola sobre Lázaro e o homem rico (Lucas 16:19-31). Não entrarei na especificidade da parábola, mas no princípio empregado por Cristo. Ora, Cristo para demonstrar o principio que estava ensinando através daquela parábola, não usaria uma parábola impregnada de um conceito errado sobre a imortalidade da alma, usando ainda um profeta da envergadura de um Abraão e elementos pertinentes ao evangelho como salvação e condição dos mortos de forma deturpada.

 

Essa parábola se não tivesse fundamentada em elementos próprios do evangelho causaria mais confusão do que ensinamentos. Certamente Cristo não utilizaria uma parábola dessa forma.

 

Além do mais Jesus, no monte da transfiguração, um pouco depois esteve reunido com esse mesmo Abraão e Moisés, dois mortos...

 

Antes da crucificação do Senhor, existia um grande abismo separando os mortos justos daqueles que não tinham recebido o evangelho e ninguém podia passar por esse abismo, conforme a parábola mesmo demonstra. Na realidade, antes da morte de Jesus, praticamente todos estavam do lado dos que ainda não tinham recebido o evangelho. O evangelho (a "boa nova" sobre a ressurreição de Jesus) só começou a ser pregada no mundo espiritual depois que Jesus foi até lá naquele período dos 3 dias e abriu a pregação dentre os mortos, conforme Pedro escreveu e ensinou.

 

Se bastasse aceitar Cristo em uma justificação de fé para ser salvo, por favor, me explique sobre a necessidade de julgamento para todos os homens segundo suas obras: "Vi também os mortos, os grandes e pequenos, postos em pé diante do trono. Então se abriram os livros. Ainda outro livro, o livro da vida foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme se achava escrito nos livros. Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras” (Apoc. 20:12-13).

 

Tenha ainda em mente a solicitação do malfeitor: “Lembra-te de mim quando entrares no teu reino”.

 

Jesus não prometeu a ele que o levaria para Seu Reino naquele dia, mas disse: “Hoje estarás comigo no paraíso”.

 

Se Jesus morreu e só ressuscitou ao 3.º dia, naquele dia - o dia no qual falou com o ladrão - não podia estar no Seu Reino, - que não era o Paraíso - com o ladrão.

 

É muito clara a indicação do tempo e da ação decorrida nas palavras de Cristo: Naquele dia, ele, o ladrão, estaria com Cristo no paraíso, ou seja, no mundo espiritual para onde Jesus esteve nos três dias que antecederam sua ressurreição. Portanto, Jesus não esteve no Céu e por conseguinte também não, o ladrão.

 

Portanto, Jesus não levou o malfeitor para o céu e sim para o Paraíso.

 

Pedro acrescenta mais luz nesse assunto quando falando de Jesus escreve: “...mortificado na verdade, na carne, mas vivificado pelo espírito, foi, e pregou aos espíritos em prisão, os quais noutro tempo foram rebeldes,... nos dias de Noé". (1 Pedro 3:18-20.)

 

Isso elucida muitas dúvidas sobre a justiça e misericórdia que às vezes alguns situam como mistérios de Deus.

 

Pois, não obstante o ladrão ter reconhecido sua própria culpa (um sincero e profundo arrependimento) e a retidão do Salvador, ele não entendia o evangelho e nem tinha sido obediente a ele. Portanto, ele, bem como outros homens que não tinham obedecido ao evangelho enquanto na carne, precisava ouvi-lo para exercer livremente a fé e então se decidir.

 

Todos aqueles, de todas as eras e lugares, que não tiveram as devidas oportunidades de ouvir o evangelho e exercer fé em Jesus, têm o direito assegurado de poder entender e aceitar o evangelho no mundo espiritual ou paraíso, passando assim a ter a necessidade das ordenanças do batismo e como qualquer outro, poder retornar a presença de Deus tendo cumprido a ordem de Jesus no que se refere ao batismo.

 

Ainda desejo enfatizar que nesse contexto não estou desconsiderando as miríades das misericórdias de Deus, mas reforçando que essas miríades estão em perfeita sintonia com a também justiça de Deus. Uma não é sem a outra ou nosso Deus deixaria ser Deus, como criador e mantenedor de tudo que existe em perfeita ordem.

 

Com relação sua pergunta, sim, o ladrão na cruz deve ter sido batizado, talvez pelos coríntios ou por outros cristãos daquela época, afinal entendendo-se que o ladrão crera, faltava-lhes tão-somente a ordenança do batismo, pois do contrário isso invalidaria a categórica afirmação e ordem de Jesus: "aquele que crer e for batizado"

 

Vc diz: "Olhando o contexto de I Cor.15:29 não vemos razões para se justificar o Batismo pelos Mortos. Pelo contrário: Vejo neste contexto razões para rejeitarmos esta prática..."

 

Poderia a luz do que escrevi nesse e no outro post enviados, explicar-me qual seria esse "contrário"?

 

A escritura que vc retira do Livro de Mórmon é uma alusão a não-procrastinação do arrependimento e não está ligada diretamente a doutrina do batismo que estamos aqui enfocando.

 

Observe que estamos falando de uma ordenança necessária para voltarmos a presença de Deus, o batismo e, não do arrependimento, que é o tema central da escritura de Alma 34:31-35.

 

É importante ainda deixar claro que o ato em si do batismo não salva, mas é um pré-requisito para nosso retorno a presença de Deus, ou seja, somente através do batismo (subentenda a fé em Cristo, primeiramente) ninguém voltará a Deus, mas todos aqueles que voltarem terão que ter sido batizados, sejam vivos ou mortos, afinal: “Porque foi para isto mesmo que Cristo morreu e tornou a viver, para ser Senhor tanto de mortos como de vivos”. (Rom. 14:9)

 

Fraternalmente aguardo seus comentários acerca do que lhe escrevi.

 

Irineu


Cap. 09