O BATISMO PELOS MORTOS

 


 

Capítulo 03

 

----- Original Message -----

From: "Defensor da Fé" <defensordafe@terra.com.br>
To: "Defesa da Fé (Grupo)" <defesadafe@yahoogrupos.com.br>
Sent: Wednesday, October 23, 2002 6:08 PM
Subject: [Defesa da Fe] Mormons batizam mortos???

 

Prezados Apologistas

Certa vez li que existe um cerimonial mormom onde se batizam pessoas mortas. Gostaria de saber a posição do nosso irmão Irineu sobre o assunto e assim iniciarmos um "bate-papo".
[ ]´s
 

----- Original Message -----
From: IRINEU2
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Wednesday, October 23, 2002 5:25 PM
Subject: [Defesa da Fe] Batismo pelos mortos

 
Prezado Yuri,
 
Não batizamos os mortos literalmente falando. A ordenança a qual vc se refere é o batismo pelos mortos praticado pelos primeiros cristãos como citado por Paulo em ICor. 15:29.
 
Um abraço,
 
Irineu

 

----- Original Message -----
From: Eduardo Honorato
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Wednesday, October 23, 2002 7:49 PM
Subject: Re: [Defesa da Fe] Batismo pelos mortos

 
Irineu, você disse:
 
"A ordenança a qual vc se refere é o batismo pelos mortos praticado pelos primeiros cristãos como citado por Paulo em ICor. 15:29."
 
Vale lembrar que o batismo pelos mortos não é bíblico. Pela exegese e hermenêutica sadia o versículo em questão é claramente visto como sendo praticado por outras pessoas, dentre os quais não estavam inclusos os apóstolos ou mesmo qualquer cristão verdadeiro, seguidor de Cristo.
 
É bom lembrar também que deve-se refletir muito antes da prática de tal "ordenança".
 
A regeneração batismal é algo não somente extra-bíblico, como também anti-bíblico. Dizer que os salvos são somente aqueles que se batizam é algo que tenta adicionar ao sacrifício vicário de Cristo, que POR SI SÓ é completamente útil para a salvação.
 

Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça. Is 41:10

----- Original Message -----
From: "Defensor da Fé" <defensordafe@terra.com.br>
To: "defesadafe" <defesadafe@yahoogrupos.com.br>
Sent: Thursday, October 24, 2002 3:49 PM
Subject: Re: [Defesa da Fe] Batismo pelos mortos

 

> Prezados
>
> Antes de fazermos uma análise exegética, hermeneutica e etc... sobre
> este texto tenho algumas questões:
>
> 1)Qual a finalidae deste batismo??
>
> 2)Onde está o morto no momento em que alguém faz este batismo por ele?
>
> 3)O que acontece a ele após o batismo??
>
> --------------------------
> Yuri Eloi
> Defensor
 

----- Original Message -----
From: IRINEU2
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Thursday, October 24, 2002 6:01 PM
Subject: [Defesa da Fe] Batismo

 
 
Caro Eduardo,
 
Vc evidenciou duas situações no seu e-mail, uma sobre o batismo e outra sobre o batismo pelos mortos.
 
Creio que a ordenança do batismo é de fundamental importância dentro do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
 
Gostaria de compartilhar com vc como acredito nesses dois importantes assuntos de fé, não pretendendo aqui provar absolutamente nada, mas apenas demonstrar as evidências do porque creio assim. 
 
Sabemos que é através de Cristo que conseguimos voltar a presença de Deus. Entretanto, acreditar em Cristo não é apenas pronunciar com os lábios que assim crer, mas viver do que Ele ensinou.
 
A partir do momento que digo que Cristo é meu Salvador e Redentor, mas não vivo segundo Seus ensinamentos, penso que de nada valerá essa declaração e nem o sacrifício expiatório de Cristo terá alcance sobre mim, afinal o próprio Salvador ensinou: "Nem todo aquele que me diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus..." (perceba aqui o uso dos lábios...) Mat. 7:21.
 
Portanto, quando se diz que Cristo é perfeitamente eficaz em Sua Obra Redentora é necessário que percebamos se agimos segundo o que Ele ensinou e, para o qual - a saber seus ensinamentos - também sacrificou Sua vida, pois suscitou a ira e perseguição dos líderes religiosos de sua época por causa desses ensinamentos.
 
Cristo ensinou que quem não fosse batizado não poderia entrar no Reino de Deus, João 3:3-7. Quando judeus de várias partes do mundo estiveram em Jerusalém para participar da festa de Pentecostes, ao ouvirem a pregação de  Pedro sobre Cristo, perguntaram a este o que deveriam fazer.
 
Pedro não replicou que deveriam somente aceitar Cristo nos seus corações ou mesmo apenas pronunciar com os lábios e pronto, tudo estaria bem. Mas, ao invés disso declarou: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” e teve de providenciar o batismo para quase 3.000 pessoas naquele mesmo dia (Atos 2:37,38 e 41).
 
A pergunta é: Se a ordenança do batismo não fosse tão importante assim, porque batizaram quase 3.000 pessoas, se se bastasse apenas "aceitar Jesus" ? Não seria até mais fácil do ponto de vista da logística?
 
Imagina-se todo o trabalho que tiveram os apóstolos para organizar as pessoas, as filas que se formaram e tudo isso para algo desnecessário ou sem valor algum para a salvação...(!?)
 
O batismo é uma ordenança tão importante e sagrada que o próprio Salvador batizou-se para que se "...cumprisse toda a justiça...", ou seja, que nada faltasse, nem mesmo a ordenança do batismo. Afinal, Ele também afirmou: "Porque eu vos dei o exemplo... façais vós também" (João 13:15).
 
Noutra ocasião, falando aos seus discípulos, Jesus reforçou ainda mais a ordenança do batismo ordenando-lhes: "Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado" (Mc 16:16). Observe que os dois conceitos - o de crer e ser batizado - estão juntos. É evidente que Jesus não cita a necessidade de não batizar-se e não crer ao ser condenado, pois quem não creu, obviamente não aceitaria o batismo, daí Ele não repetir a negação junta da citação anterior.
 
Como símbolo da morte e Ressurreição de Cristo (Romanos 6:3-6), Paulo afirma em sua epístola ao Romanos que todos
eles haviam feito o convênio de andar em novidade de vida, após essa ordenança de novo nascimento espiritual. 
 
Aqueles que não tiveram oportunidade de serem batizados (realizar esta ordenança aqui na Terra), poderão recebe-la por procuração, por outros que possam vicariamente fazer por eles. Esta prática era conhecida pela Igreja Primitiva, e citada por Paulo como argumento a favor da ressurreição em 1 Cor. 15:29.
 
Tal prática é citada também nos apócrifos Pastor de Hermas e Evangelho de Nicodemos. Era prática comum entre os Cristãos Cerintianos e Marcionitas do segundo século, sendo até hoje realizada pelos cristãos Mandeus da Síria. Tal prática era comum na Igreja cristã Copta (Egípcia) até o século V, quando foi suprimida pela Igreja de Roma, sendo somente restaurada através do jovem profeta Joseph Smith, que não sabia nada sobre Mandeus, Cerintianos ou Igreja Cristã Copta.
 
A citação de Paulo é muito clara: "De outra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que então se batizam por eles?" Lendo o contexto do capítulo 15 de ICorintios percebe-se que Paulo está defendendo a doutrina da ressurreição e usa essa prática (ou ordenança) cristã para reforçar seu argumento.
 
Quanto a questão do "eles" (isto é, de Paulo não usar "nós" na referência à prática), temos um membro antigo da Igreja aqui em Curitiba que é grego e algum tempo atrás conversando sobre isso, ele me disse que esse texto no grego original (ele tem uma bíblia em sua língua natal) encontra-se na voz passiva, e não na ativa, tornando este argumento inverossímil.
 
Ele, como grego, lê assim diretamente de sua bíblia: "Por que batizam-se então pelos Mortos", ao invés de "Por que se batizam eles então pelos Mortos"

 

Ou seja, na primeira frase o sujeito é indeterminado (pode ser eu, nós, vós, paranaenses, paulistas, mineiros, qualquer um), enquanto na segunda o sujeito é determinado "eles" (Os Coríntios). Evidencia-se que os Cristãos primitivos o praticavam, uma

vez que tanto os mandeus como os cristãos sírios podem traçar suas tradições até a época de Cristo. Os mandeus, inclusive, clamam para si serem os descendentes dos seguidores de João Batista.

 

Como já citei, esta prática (ordenança) era acreditada por antigos grupos cristãos dos primeiros séculos, mas após eles, ninguém mais a praticou na Cristandade Ocidental (os mandeus e siríacos ficariam na Cristandade oriental).

 

 

É interessante que o conhecimento ou reconhecimento dessa doutrina resolve um problema crítico do cristianismo, que seria: "O que acontece com aqueles que nunca ouviram falar de Cristo ou nunca foram batizados?"

 

Lutero e Calvino explicam-na com a difícil doutrina de que alguns são predestinados à salvação enquanto outros à condenação.

 

A Igreja Católica antiga assumia o "extra ecclesia nulis sallus", sendo que somente mais recentemente, devido a maior interação entre cristãos e não-cristãos adotaram (junto com protestantes modernos) a idéia do "onde não há lei não há pecado", ou seja, o sangue de Cristo cobriria estes, mas ficam agora com o grande dilema na mão para justificar a necessidade do trabalho missionário Cristão (Se aqueles que não receberam a Lei são salvos pelo Sangue de Cristo, por que levar-lhes então a Lei??).

 

Alan Kardec sugeriu a teoria da reencarnação como um substituto da necessidade de batismo à toda a humanidade e temos finalmente a explicação única dada por Joseph:

 

a) Todos ouvirão o evangelho, quer neste mundo ou no vindouro.

b) Todos terão uma oportunidade de serem batizados, quer neste mundo ou vicariamente.

 

Acreditamos que tal prática continuou ao longo do V século, sendo suprimida quase que completamente no século VI pela Igreja de Roma, que acabou substituindo tal rito pelas missas e orações pelos mortos.

 

Quase 3.000 pessoas tiveram que ser batizadas.

 

O próprio Salvador batizou-se.

 

Ele mesmo ordenou (mandamento) que além de crer-se, também deveriam batizar-se.

 

Penso que a importância do batismo está explicitamente declarada no evangelho como uma ordenança sagrada sem a qual não se poderá voltar a presença de Deus. Ou alguém poderá voltar sem crer? Mas, se creu então deverá então cumprir com a ordem de Cristo e batizar-se para que toda a justiça seja feita.

 

Fraternalmente,

 

Irineu


Cap. 4