O BATISMO PELOS MORTOS

 


 

Capítulo 02

 

--- Original Message -----

From: IRINEU2

To: defesadafe@yahoogrupos.com.br

Sent: Wednesday, August 21, 2002 5:18 PM

Subject: Re: [Defesa da Fe] Quem não ouviu de Jesus


 

Pastor Norberto,

 

É sempre prazeroso falar-lhe.

 

Sei e compreendo de suas responsabilidades em pastorear aquilo que acredita como verdade. Respeito-o por isso e pelos motivos disso.

 

O que coloquei, enfatizo, resume minha convicção, crença e fé a sobre esse tema. Não pretendo criar nenhuma polêmica a respeito, mas tão-somente tornar público o do porque assim compreendo e acredito, mantendo o respeito e o diálogo às posições em contrário.

 

Eu não estou aqui à disputar a verdade, até porque a verdade é uma só e não tem lado. É imutável. Sempre está onde sempre esteve por toda a eternidade. Nós é que buscamos nos posicionar em relação a ela.

 

Desejo, tão-somente, repito, deixar minha impressão e pensamento baseado naquilo que creio para que todos possam ter uma idéia - independente de crer-se ou não - dos motivos disso.

 

E, repito, sou muito grato a vc por essa oportunidade, sempre me colocando sob as regras e princípios que regem a lista que modera com habilidade, coerência e respeito, daí o porque de minha admiração ao seu trabalho.

 

Esse é um texto (I Cor. 15:29) bastante discutido e polemizado nos meios religiosos.

 

A referência que fiz a Hebreus - e vc repetiu no seu post - diz: "E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo” (Hebreus 9:27) foi para evidenciar que Paulo disse que virá o juízo sim, mas não disse quando virá, nem quanto tempo demorará, ou seja, o fato é que esse juízo não chegou ainda tal qual expressou-se Paulo. 

 

Ora, sendo as  palavras de Paulo localizadas entre o passado de qdo. falou e o futuro de qdo. será cumprida, deduz-se que existe um tempo chamado presente onde as pessoas ficam a espera desse juízo. É nesse tempo que me posiciono.

 

Respeito os muitos desdobramentos que isso pode ocasionar, por exemplo, nas convicções e crenças adventistas e das Testemunhas de Jeová, entretanto coloco minha opinião como forma de no mínimo mostrar uma visão diferente desse tema, no qual cada um é livre para tomar conhecimento, pensar, refletir, crer ou não.

 

Os testemunhos dos relatos do Concilio de Cartago(397 A.D) deixa claro que os cristãos da época praticavam o batismo vicário pelos mortos, porque no cânon sexto daquele concilio, a igreja dominante proibia qualquer futura administração do batismo pelos mortos.

Por muito tempo, todos eram unânimes em condenar ao castigo eterno todos os que morriam sem aceitar Cristo, mesmo que não tivessem ouvido seu nome. As igrejas também proclamavam a condenação como o destino das criancinhas que morriam sem as cerimônias da Igreja, incluindo o batismo, embora elas não pudessem agir por si mesmas. Esse destino aplicava-se também às nações pagãs que nunca ouviram o nome de Cristo.

 

Se se prega o evangelho para que todos possam saber de Cristo e Sua obra - "aquele que crer e for batizado será salvo, aquele porém que não crer será condenado..." - como salvar quem não soube, mas se soubeSse teria aceito? Como condenar justamente quem não soube, mas se soubesse teria rejeitado?

 

Como conciliar as palavras de Cristo acima e os milhões - talvez muito mais - de pessoas que morreram ou vivem hoje sem nunca terem conhecido as boas novas do reino?

 

Se houver uma forma de "ajuizar melhor" a condição pós-morte dessas pessoas, não seria melhor eu nascer, viver e morrer pagão do que conhecer a Cristo? Não estaria numa condição melhor? Isso não é contraditório e injusto em função dos permanentes desafios que passamos por decidir viver uma vida cristã sempre cheias de dificuldades em meio as tentações dessa vida, ao passo que os pagãos com uma vida dissoluta, vamos assim dizer, teriam um destino final tão bom quanto?
 

Onde se manifesta a justiça de Deus em tal doutrina?

 

O princípio envolvido na crença e na prática do batismo pelos mortos não é hoje advogado apenas pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a única dentre as igrejas cristãs, no ocidente, a praticar o batismo por aqueles que morreram sem conhecer a Cristo

 

Alguns pregadores compreenderam a necessidade do principio de salvação para os mortos para satisfazer a justiça de Deus.
 

A Sra. Pearl S. Buck, autora de “A Boa Terra” e “Filhos”, e muitos outros livros, foi julgada pela Igreja Presbiteriana porque discordou de sua doutrina de que as nações pagãs seriam condenadas, a menos que aceitassem o evangelho cristão.

A Sra. Pearl S. Buck, que se valeu de sua experiência como missionária presbiteriana na China para escrever duas novelas das mais vendidas, enfrentou a excomunhão como resultado de recentes escritos que divergem das doutrinas fundamentais da Igreja, conforme revelado numa reunião do presbitério de New Brunswick, New Jersey, EUA.

 

John Frederick Denison Maurice, professor de Teologia no Kings College de Londres, foi demitido de sua cátedra por causa de sua teologia considerada heterodoxa com respeito á punição eterna, publicada em 1853 em seus Tratados Teológicos, (Veja Encyclopedia Britânica, 11 edição, vol. 17, p. 910.)

Ele ensinou que as revelações do amor de Deus para conosco, encontradas no evangelho, não são compatíveis com sua permissão de que qualquer das criaturas que ele tenha amado seja destinada a um tormento sem fim.

 

No leito de morte, em 1872, um de seus companheiros de ministério deu-lhe a triste noticia de que não mais pregaria o evangelho. Diz-se que ele reuniu todas as suas energias e, erguendo-se na cama, declarou: “Se não mais puder pregar o evangelho aqui, eu o pregarei em outros mundos.”

Henry Ward Beecher, um influente clérigo americano (1813-1887), proferindo uma palestra em Nashville, Tennessee, sobre: O que o cristianismo tem feito para civilizar o mundo, disse:

“Que tem a África feito pelo mundo? Ela nunca produziu um sábio, um filósofo, um poeta, nem um profeta, e por que não? Porque o nome de Cristo e a influência do cristianismo são pouco conhecidos em suas obscuras regiões.

Milhões de seus filhos viveram e morreram sem ouvir a verdade.
Que será deles? Serão condenados para sempre?

Não, não se meu Deus reinar, pois eles ouvirão o evangelho no mundo espiritual.”

 

Élder Matthias F. Cowley, um membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, referindo-se à palestra do Sr. Beecher, disse: “Prosseguiu então, mostrando, por meio de evidências irrefutáveis, que a salvação para os mortos é uma doutrina das escrituras”.

O escritor não estava presente na palestra, mas um outro santo dos últimos dias estava e, à conclusão da palestra, caminhou até a plataforma e disse: “Sr. Beecher, interessei-me por sua palestra e gostaria de fazer-lhe uma pergunta. Jesus disse a Nicodemos: “Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” Ora, como é possível batizar um homem na água quando seu corpo já está decomposto na terra?

O grande orador olhou para o interlocutor por um momento e então disse:
“Jovem, de onde vem você?
- Do oeste.
- De que parte do oeste?
- De Salt Lake City — respondeu.
- Oh — disse o Sr. Beecher.
- Você mesmo pode responder a essa pergunta. Boa noite
— e retirou-se.

Provavelmente o Sr. Beecher tinha lido bastante sobre o batismo pelos mortos para saber que tal doutrina deve estar relacionada com a pregação aos espíritos, e sabia que assim ensinamos na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

O professor A. Hinderkoper, escritor alemão diz: “Nos séculos dois e três, cada ramo e divisão da Igreja Cristã, até onde seus registros permitem julgar, acreditava que Cristo pregou aos espíritos que se foram.” (Ben E. Rich, Scrapbook of Mormon Literature, 1910, pp. 321-322.)

O Dr. S. Parkes Cadman, famoso pregador radialista e ex-presidente do Conselho Federado das Igrejas da América, discutiu a seguinte questão pelo rádio para milhões de ouvintes:

Pergunta - Em sua opinião, o que será das almas que nesta vida não tiveram oportunidade de aceitar ou rejeitar a verdade como encontrada nos evangelhos?

Resposta - "Aqueles que nunca ouviram o nome de Jesus desde que os seres humanos apareceram pela primeira vez na terra, constituem a grande maioria que viveu e morreu aqui. Além disso, centenas de milhões que agora vivem estão em idênticas condições. A imaginação não pode conceber essa multidão infinita.

Mesmo hoje, existem multidões nas terras cristãs que, por causa das circunstâncias de seu nascimento e criação, são quase tão ignorantes da fé no Novo Testamento como o foram os antigos gregos que nunca ouviram falar de Cristo. Imagine-se também as hostes de crianças inocentes que morreram antes de chegar à consciente responsabilidade de sua própria vida.

Mesmo quando compreendida vagamente, sua pergunta seria insuportavelmente opressiva se ninguém, com exceção dos que inteligente e voluntariamente acreditaram em Cristo, fosse admitido no futuro à Presença Divina" .

 

Ele prossegue:

"Se, como somos ensinados a crer, as incalculáveis miríades de seres humanos que ocuparam, ou ocupam agora esta vida, existem para a eternidade e devem passá-la em algum lugar, como podemos limitar a eficácia redentora do amor divino à breve passagem da existência mortal do homem?

Considere o assunto quando ele afeta o destino dos que são próximos e caros a você. Então aplique seu significado a toda a humanidade. É nosso consolo e esperança que, desde que Deus é Pai de todos nós, nenhuma alma seja perdida à sua vista, e nenhuma por causa de ter pouca importância para ele. Sua misericórdia é eterna. Os credos que confinam as operações dessa misericórdia a esta vida, fazem injustiça às suas virtudes salvadoras e prejudicam a causa em benefício da qual elas foram estabelecidas". (Millennial Star, vol. 98, 13 de agosto de 1936, p. 514.)

 

Isto é a minha opinião sobre como creio e exerço fé nesse princípio de justiça divina.

 

Perdoe-me, se alguns desses fundamentos da minha crença confrontou-se com os seus. 

 

Meu intuito, enfatizo, é apenas dar a minha contribuição, uma outra forma de ver sobre esse assunto. Não desejo, em momento algum polemizar.

 

Compartilho, portanto a minha perspectiva no mais absoluto respeito e apreço por vc, Pastor Norberto.

 

Fraternalmente,

 

Irineu

 


Cap. 03