O BATISMO PELOS MORTOS

 


Capítulo 30

 

----- Original Message -----
From: irineu
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Wednesday, March 05, 2003 10:03 PM
Subject: [Apologética Aplicada] Batismo/Mortos - Ladrão na Cruz

 

Continuando, Pastor Airton (suas palavras em azul)...

 

O senhor escreveu: AIRTON - Vamos por partes. "Hoje estarás comigo no paraíso" - Não creio que Jesus, ao responder ao ladrão, tenha prometido uma salvação pela metade, ou seja, uma meia salvação sujeita a passar, primeiro, por uma estação intermediária. Jesus na verdade assegurou ao ladrão arrependido e fervoroso uma felicidade celestial. Não creio também que Jesus tenha ido ao cativeiro dos "espíritos em prisão" num estado de limitação, de vitória não consumada,  antes de vencer a morte pela ressurreição.

 

Também não creio que Jesus ofereceu salvação pela metade ao ladrão, como não o fez em todas as suas pregações antes de ir a cruz.

 

O que Ele assegurou ao ladrão que não o conhecera ou aceitara durante suas pregações foi o mesmo que assegurou para todos que o tinham aceitado em sua pregação antes de chegar a cruz, ou seja, de perseverarem na fé cumprindo com todas as ordenanças necessárias as suas salvações, como tão claramente ensinou ao ordenar: “Aquele que crê e for batizado será salvo”.

 

O qual foi cumprido e registrado nas escrituras, dentre outros, pelos mais exponenciais de seus discípulos, a saber, Paulo que também foi batizado e Pedro que na festa de Pentecostes pregou conjuntamente com os 12 e no final cumpriu obedientemente com a ordem de Cristo, cf. registra as escrituras: “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?

Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e CADA UM DE VÓS seja BATIZADO em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo”(Atos 2:37-38)

 

Portanto, o ladrão para que fosse cumprida toda a justiça, da qual nem mesmo Cristo esquivou-se de cumprir, teria também de ser batizado.

 

Mateus registra: “Jesus, porém, lhe respondeu: Consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele consentiu. Batizado que foi Jesus, saiu logo da água...” (Mat 3:15-16).

 

Veja como a justiça divina é cumprida, não oferecendo privilégios a ninguém, afinal se não fora assim, nós teríamos o ladrão salvo numa condição bem diferente, no que diz respeito as ordenanças tão ensinadas e cumpridas pelos demais salvos, ou seja, teria ele chegado primeiro ao Céu antes mesmo de Jesus e, ainda sequer batizado, enquanto todos os outros salvos, como Pedro, Paulo e o próprio Jesus o foram. Que coisa estranha, não!?

 

Qual a finalidade da passagem do ladrão por onde estavam os "espíritos em prisão"? Ouvir a pregação de Jesus para que cresse e se convertesse. Mas essa conversão aconteceu na cruz.

 

A conversão, Pastor Airton, entendo como um processo que demanda tempo. Não é algo que acontece de uma hora para outra. É um processo de muitas lutas diárias, de escolhas e acima de tudo de sacrifício em perseverar até o fim. Penso que o ladrão não teria tido esse tempo e nem essas qualificações naquele momento de sofrimento que estava passando, até porque estava tomado por uma excessiva carga emocional.

 

É óbvio que suas palavras não eram mentirosas, mas o desespero e as dores pelas quais passava, certamente contribuíram de forma decisiva para uma aproximação de Cristo, mas longe disso ser uma conversão.

 

São muitas as escrituras que falam de “perseverar até o fim” para receber a coroa da vida eterna. E essa perseverança é que produz a conversão. Não acredito que isto ocorra de uma hora para outra ou mesmo no leito de morte. Cristo teria dois pesos e duas medidas e isso não coaduna com o caráter e a justiça Dele.

 

Conhecemos as famosas palavras de Cristo a Pedro: “Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos”(Luc 22:32).

 

Veja que nem Pedro e os demais apóstolos eram convertidos. Ora, sendo que Jesus estava inclusive rogando para que a fé de Pedro não sucumbisse, poderia um ladrão que passara toda uma vida longe de uma existência cristã ser convertido só porque pediu para estar presente no reino com Cristo... Entendo que não.

 

Ao reconhecer que Jesus era o Filho de Deus, possuía um reino e que havia sido crucificado injustamente (Lc 23.41,42), o malfeitor revelou que conhecia a pregação de Jesus.

 

Não entendo que ele conhecia o suficiente para ser salvo, até porque momentos antes ele juntamente com o outro ladrão estava blasfemando de Cristo: “A outros salvou; a si mesmo não pode salvar. Rei de Israel é ele; desça agora da cruz, e creremos nele. Confiou em Deus, livre-o ele agora, se lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus. O mesmo lhe lançaram em rosto também os salteadores que com ele foram crucificados”. (Mat. 27:44)

 

“De igual modo também os principais sacerdotes, com os escribas, escarnecendo-o, diziam entre si: A outros salvou, a si mesmo não pode salvar, desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos, também os que com ele foram crucificados o injuriavam. (Mc. 15:32)

 

Portanto, reforço que a conversão é algo que vai muito além de um momento de desespero e dor e, sim um processo que exige conhecimento, obediência e perseverança.

 

O "bom" ladrão iria ao acampamento dos "espíritos em prisão"  como convidado especial, apenas para cumprir etapa? Pouco provável. Se realmente o ladrão  se dirigiu ao lugar restrito aos desobedientes do tempo de Noé,  ali seria um estranho no ninho. Ou seja, não fazia parte do rol ao qual se referiu Pedro. 

 

O fato de Pedro não o ter citado, não vejo como negação para que ele não estivesse lá, afinal, não foi Cristo que disse: Hoje estarás comigo no Paraíso!

 

Se o amado tivesse optado pela ida de Jesus depois da ressurreição,  para anunciar sua vitória sobre a morte, sua argumentação teria melhor sustentação, embora também refutável.

 

Mas, Pastor Airton, não foi isso que Jesus fez aqui entre os vivos antes TAMBÉM de sua ressurreição, ou seja, a vitória sobre a morte como o senhor tão bem expressou?

A salvação do ladrão na cruz foi a mais real e inequívoca manifestação da graça de Deus sobre um pecador, como bem explicam as seguintes passagens: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2.8-9); "Onde abundou o pecado, superabundou a graça" (Rm 5.20); "Quem nele crê não é condenado; mas quem não crê já está condenado" (Jo 3.18).

 

Podemos dialogar sobre isso no subtema 5 - Batismo e Fé X A Fé já é suficiente.


Não me parece correto admitir que o ladrão foi ao cárcere daqueles espíritos para ali aguardar o "batismo" pelos mortos.  Não creio que o amado defenda essa tese. Seria admitir que a graça e a fé são insuficientes.

 

Também no subtema 5 - Batismo e Fé X A Fé já é suficiente
 
Fraternalmente,
 
Irineu

 

----- Original Message -----
From: irineu
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Wednesday, March 05, 2003 10:32 PM
Subject: [Apologética Aplicada] Batismo/Mortos - Visita de Jesus/Mundo Espiritual

 

Continuando...

 

3 - Visita de Jesus ao Mundo Espiritual

 

AIRTON - Somente em duas hipóteses o espírito de Jesus deixou de subir para o Pai: 1) Jesus não orou com sinceridade de coração; não estava entregando nada ao Pai; 2) Jesus orou com sinceridade, entregou seu espírito, mas o Pai, por motivos que desconhecemos, não o quis receber. As duas hipóteses são totalmente absurdas.  No caso do salmista, podemos admitir a tese da  submissão. No de Jesus, não. Por todo o seu ministério terreno Jesus foi obediente ao Pai, e obediente até à morte (Fp 2.8). Não havia necessidade de expressar sua obediência no último suspiro. Ele entregou realmente seu espírito, e logo em seguida expirou (Lc 23 46). A entregar seu espírito ao Pai, Jesus não estava usando uma linguagem figurativa. Tanto é verdade que logo após fazê-lo, expirou.

 

Se Jesus não foi ao Pai, por que Ele disse a Madalena: “Não me toques, porque ainda não subi ao Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus". (Jo. 20:17)

 

Observe aqui, Pastor Airton, que Jesus diz, logo após os 3 dias, que não tinha subido ao Pai. Em seguida, Ele confirma mais ainda isso ao dizer: Mas, vai e dize-lhes que eu subo...

 

Percebe? Ele não tinha ido mesmo.

 

Onde estaria Jesus naqueles 3 dias. No túmulo? Poderia o Salvador do mundo ficar 3 dias no “nada”, no “vazio”, já que Ele próprio de forma inequívoca afirmara a Madalena que não tinha subido ao Pai.

 

Onde estaria Jesus? Ainda, segundo a concepção evangélica, se Jesus é Deus também, como poderia Deus ficar no nada, no vazio? Difícil conciliar isso, não acha?

 

Lembrando o que o próprio Salvador disse: “Não subi..., mas dize-lhes que Eu subo..."
 
Fraternalmente,
 
Irineu

 


Cap. 31