O BATISMO PELOS MORTOS

 


Capítulo 29

 

----- Original Message -----
From: Airton Evangelista da Costa
To: Apologetica Aplicada
Sent: Monday, January 27, 2003 9:37 AM
Subject: [Apologética Aplicada] Para Irineu

                 Ao Moderador, pastor Norberto.  Espero que esta msg esteja dentro das normas. (Airton)

 BATISMO PELOS MORTOS – 12

 

Amado Irineu,    Paz e Graça.

Abaixo, minhas considerações.

 

IRINEU:

2 – Visita de Jesus ao Mundo Espiritual (parte 2)

 

 

O Profeta Isaías também entendia este principio. Disse ele com referência ao nosso Salvador: “Eu, o Senhor, te chamei em justiça, e te tomarei pela mão e te guardarei, e te darei por concerto do povo, e para luz dos gentios; para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas”. (Is. 42: 6-7)

 

Noutra ocasião, Isaias também diz: “E será que naquele dia o Senhor visitará os exércitos do alto na altura, e os reis da terra sobre a terra. E serão amontoados como presos numa masmorra, e serão encerrados num cárcere: e serão visitados depois de muitos dias” (Is. 24:21-22)

 

E Isaias ainda acrescenta mais luz sobre isso, quando diz: “O Espírito do Senhor Jeová está sobre mim, porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos: enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos”.

 

Isto se refere à missão do Redentor, tanto à sua obra pelos vivos como pelos mortos que estavam cativos na prisão.

 

Mais ainda interessante é observar que ao iniciar Seu ministério, Jesus, entrou na sinagoga de Nazaré e sendo-lhe dado o livro de Isaías, abriu-o nesta passagem e leu, fechou o livro, devolveu-o e enquanto os olhos de todos estavam fitos nele, disse: “Hoje se cumpriu esta escritura em vossos ouvidos”. (Luc. 4: 16-21)

 

Aqui, também não cabe a interpretação que isto se refere aos mortos em seus pecados, pessoas presas em seus pecados ou tantas outras afins que buscam negar a evidência da ida de Cristo ao Mundo Espiritual.

 

Cativos e presos, referem-se aos mortos.

 

Veja os trechos que Isaias usa em relação a Cristo:

 

- “Para tirar da prisão os presos”

- “Do cárcere os que jazem em trevas”

- “Encerrados num cárcere”

- “Serão visitados depois de muitos dias”

- “Proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos”

 

Lembrando ainda que em nenhum momento de Seu ministério - e nem de Seus apóstolos alguns anos depois - Cristo pronunciou-se em relação à questão da escravidão (de senhores e escravos/servos), portanto, essa libertação de cativos encarcerados que serão visitados depois de muitos dias na qual seria proclamada suas libertações com a conseqüente abertura dessa prisão refere-se inegavelmente a situação dos mortos no Mundo Espiritual.

 

E por que falo dessa literalidade em contraste a uma visão mais simbólica desses eventos profetizados e antevistos por Isaias? Porque toda a seqüência dos fatos vistos por Isaias é literal. Veja:

 

- “Para abrir os olhos dos cegos

- “Para pregar boas novas aos mansos”

- “Enviou-me a restaurar os contritos de coração”

 

Portanto, as únicas referências que "pareceriam" fugir dessa literalidade seriam sobre a questão dos encarcerados/presos.

 

Entretanto, lembrando que Cristo não se pronunciou sobre a questão da escravidão (senhores e servos) e mantendo o mesmo principio da literalidade para as outras ações de Cristo, como o abrir os olhos dos cegos, o pregar as boas novas, etc, fica claro que Isaias estava a falar sobre a visita de Jesus aos mortos.

 

Mais uma vez, lembramos aqui os ensinamentos de Pedro a respeito desse assunto: “...No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão... (encarcerados/cativos/presos)

 

Porque por isso foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito”.

 

Em outras palavras, Isaias viu que eles seriam visitados naquela prisão.

 

AIRTON – Discordo pelas  seguintes razões:

           

1 – Lucas 4.18 (Isaías 61.1) é um resumo das atividades ministeriais de Jesus NA TERRA, e não no mundo espiritual. João 3.16 trata de missão a ser cumprida NA TERRA.

 

2 – A missão do Verbo encarnado (Jo 1.1,2,14) não se limitou ao contido na profecia de Isaías. O próprio Jesus e outros escritores da Bíblia  nos revelaram para que Ele veio: Para revelar o Pai (Mt 11.27); resgatar a humanidade (Mt 20.28); para servir (Mt 20.28); para salvar o mundo (Jo 3.17); pregar as boas novas do reino de Deus, nas cidades (Lc 4.43); trazer divisão (Lc 12.51); fazer a vontade do Pai (Jo 6.38); dar as palavras do Pai (Jo 17.8); dar testemunho da verdade (Jo 18.37); para aniquilar o que tinha o império da morte (Hb 2.14); desfazer as obras do diabo (1 Jo 3.8); cumprir as leis e os profetas (Mt 5.17);dar a vida eterna (Jo 10.28); para provar a morte por todos (Hb 2.9); para se tornar sumo sacerdote (Hb 2.17); para expiar o pecado (Hb 2.17); pregar liberdade aos cativos (Lc 4.19); trazer juízo ao mundo: “Eu vim a este mundo...” (Jo 9.39); para tirar os pecados (1 Jo 3.5); para pregar: “porque para isso vim” (M 1.38); chamar os pecadores ao arrependimento (Mc 2.17); dar conhecimento de que Ele é o Deus verdadeiro (1 Jo 5.20).

 

3 – Examinando a missão de Jesus no seu conjunto, seria uma extravagância entender que Ele veio em carne para abrir as portas do inferno e libertar todos os condenados. Assim, “libertar os cativos”, “dar vista aos cegos” e “pôr em liberdade os oprimidos”  diz respeito aos vivos, e envolve uma cura física e espiritual. Deve ser entendido à luz de João 8.36, “se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. Jesus fala aos vivos e promete libertação da escravidão do pecado. Para isso precisa o homem “ser fiel até à morte” (Ap 2.10), “permanecer nEle” (Jo 8.31-32); “morrer em Cristo” (1 Ts 4.16-17), porque depois da morte virá o juízo (Hb 9.27; Alma 12.16,27-Livro de Mórmons).

 

4 – Cegos, cativos, oprimidos significam MORTE ESPIRITUAL.  Em várias passagens encontramos esse significado: “Siga-me, e deixe que os mortos [espirituais] sepultem os seus próprios mortos” (Mt 8.22); “Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados...todavia, Deus deu-nos vida com Cristo” (Ef 2.2-7-NVI); “Quando vocês estavam mortos em pecados...Deus nos vivificou com Cristo” (Cl 2.13). Jesus veio para dar vida  a esses cativos. 

 

5 - A palavra oficial do mormonismo concorda comigo. Veja o que  está escrito no Livro dos Mórmons: “Depois virá a morte, uma segunda morte, que é espiritual;  então é chegado o tempo em que AQUELE QUE MORRER EM SEUS PECADOS, quanto à morte temporal, TAMBÉM MORRERÁ ESPIRITUALMENTE, sim, morrerá para tudo quanto pertence à justiça. Será então chegado o momento em que seus tormentos serão como um ´lago do fogo e enxofre´, cuja flama ascende para sempre; e será então chegado o tempo em que serão acorrentados à DESTRUIÇÃO ETERNA, segundo o poder e cativeiro de Satanás, tendo-os subjugados de acordo com a sua vontade. E digo-vos que então eles estarão como se nenhuma redenção houvesse sido feita; pois que NÃO PODERÃO SER REMIDOS SEGUNDO A JUSTIÇA DE DEUS; e não poderão morrer, por não haver mais corrupção” (O Livro  de Mórmon - Alma 12.16,17,18). “...Foi concedido ao homem um tempo no qual poderia se arrepender; portanto, esta vida se tornou um estado de provação, um tempo de preparação para o encontro com Deus” (Ibidem,v.24); “Foi, porém, decretado que o homem morreria; e depois da morte viria o juízo, sim, o mesmo julgamento do qual falamos, que é o fim” (Ibidem, v.27); “Portanto, Deus CONVERSOU COM OS HOMENS e tornou-lhes conhecido o plano de redenção...deu mandamentos AOS HOMENS” (v.30,31); “Lembra-te. Portanto, ó HOMEM, de que por todos os seus atos serás levado a julgamento...e nada que é impuro poderá habitar com Deus; e sereis REJEITADOS PARA SEMPRE” (Ibidem, 1 Nefi 10.20,21). Em muitas passagens O Livro dos Mórmons rejeita a tese da segunda chance. Além do que lemos acima, oficialmente o mormonismo diz que a salvação é para quem permanecer na obediência “até o fim da vida do corpo mortal” (Mo 4.6,7); diz que “não existem outras condições para a salvação” (Mos 4.8); que “após a morte virá o julgamento” (2 Ne 9.15); que se “os homens não se arrependerem, nem perseverarem até o fim, serão amaldiçoados” (2 Ne 9.24); que os homens não devem “desperdiçar os dias de sua provação” (2 Ne 9.27); diz que “ai dos que morrerem em seus pecados” (2 Ne 9.38); que o plano de salvação de Deus só produz resultados no estado preparatório, pelo arrependimento (Alma 42.13); diz que quem morrer em seus pecados, também morrerá espiritualmente, e não poderá mais ser redimido (Alma 12.16-18). Para finalizar, vejamos mais o seguinte em O Livro de Mórmon, a respeito do plano de salvação: “E assim foi que se proporcionou um tempo ao homem para que se arrependesse, sim, um tempo de provação, um tempo para arrepender-se e servir a Deus...mas eis que foi decretado que o homem devia morrer...era conveniente que a humanidade fosse isentada da morte espiritual...este estado de provação se lhes tornou em estado de preparo, um grande estado preparatório...o plano de redenção não poderia ser realizado senão em face do arrependimento dos homens, neste estado de provação, sim, neste estado preparatório, porque a não ser nestas condições a misericórdia não se poderia efetuar sem destruir a obra da justiça...se desejou praticar o mal e não se arrependeu DURANTE SEUS DIAS receberá o mal em retribuição...(Alma 42.4,6,9,10,13,28). Estou de acordo com essas palavras, no que diz respeito à existência de uma única oportunidade.

 

6) ...”E te darei por concerto do povo e para luz dos gentios; para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos e do cárcere, os que jazem nas trevas” (Is 42.6-7). Se fosse da vontade de Deus abrir as portas das prisões no mundo espiritual, revogar a sentença condenatória de todos e transferi-los para o céu, o Verbo faria isso mesmo antes de encarnar-se. Nada no texto corrobora a tese da segunda chance. O contexto fala em povos, nações, pessoas; da liberdade que será oferecida pelo “Servo do Senhor”  aos gentios (v.1); aos cegos que confiam em imagens de escultura, e por causa da cegueira espiritual estavam sendo espoliados por seus inimigos (v.16-19). O capítulo seguinte continua falando de libertação do “povo cego” (43.8). Cristo veio para libertar os que estavam nas trevas do pecado (Mt 4.16; Lc 2.32; At 13.47).  

 

7) Portanto, entendemos que “por isso o evangelho foi pregado aos mortos [espirituais] para que não morressem em seus pecados e pudessem depois de mortos viver em espírito com Deus”. O próprio mormonismo concordas comigo quando afirma que não há mais chance para os que morrem em seus pecados.      

           

É interessante o perfeito encaixe do evangelho sobre esse assunto.

 

Jesus também sabendo disto ao falar sobre a transgressão do povo disse: “Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil. (Mateus 5:25-26.)

 

AIRTON – Discordo da interpretação proposta. O catolicismo usa esses versículos para justificar a tese do purgatório, e o espiritismo, como apoio à tese da reencarnação. Jesus está falando da premente necessidade de perdão, de não nutrirmos ódio vingativo contra pessoas, de sermos pacificadores. A parábola é uma extensão do ensino de perdoar para ser perdoado, conforme Mateus 6.12,14. O lugar de tormentos não é uma prisão temporária em que depois de cumprida a pena o pecador segue para o céu. A Bíblia ensina que os que morrem em seus pecados estão eternamente separados de Deus – morte eterna. A mesma coisa diz  O Livro dos Mórmons, por mais paradoxal possa parecer.  Ao dizer que “dali não sairás enquanto não pagares o último centavo”, Jesus se refere à justiça dos homens, que aplica penas por tempo determinado. Mas, falando da justiça de Deus, Ele diz que a falta de reconciliação sujeita o pecador “ao fogo do inferno” (v.22). Portanto – diz Ele -, para evitar isso, “vai primeiro reconciliar-te com teu irmão” (v.23,24). 

 

Paulo declarou com respeito ao evangelho de Cristo: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé". (Romanos 1:16-17).

 

AIRTON – Certo.

 

Paulo, ou outro homem qualquer, bem podia envergonhar-se do evangelho de Cristo se este designasse ou condenasse ao castigo eterno as almas de todos os filhos de nosso Pai que viveram sobre a terra e que nunca ouviram o evangelho ou mesmo o nome de Cristo.

 

AIRTON – “Filhos do nosso Pai” – Os filhos de Deus não irão para o inferno. Os que morreram na desobediência não podem ser considerados filhos de Deus. São filhos de Deus “os guiados pelo Espírito de Deus” (Rm 8.14).  Em mensagem de 12.12.2002 dissertei sobre a promulgação gradual da lei de Deus, escrita na natureza (Sl 69.1; Rm 1.20); na consciência dos homens (Rm 2.14-16), em tábuas de pedra (Êx 24.12), por meio de Cristo (Jo 1.14), pelas escrituras (Rm 15.4), no coração (Rm 2.14-16; 10.8; Jr 31.33), por meio dos filhos de Deus (2 Co 3.2-3). “Todos serão responsáveis perante Deus em juízo, quer, como os judeus, possuam a lei mosaica, quer, como os gentios, a lei natural, escrita na consciência de todos os homens, criados que são à imagem divina. Todos têm um padrão válido por onde serão julgados, porque não é aquele que possui a lei que é considerado justo, mas o que a pratica. Os judeus não se podem orgulhar de sua Torá, porque não importa se alguém tem ou não tem uma lei. Nossas ações fornecem o critério para o julgamento. Todo homem tem uma consciência, percepção moral, um conhecimento que julga entre o ato e seu valor ético, ou entre o homem  e Deus como verdade ou realidade última. Se ele atende a essa consciência, ela infalivelmente o acusará ou o inocentará, particularmente quando, no dia de Deus, todos os segredos forem descobertos e julgados por Jesus Cristo” (O Novo Comentário da |Bíblia, Vol. II, editado em português pelo revdo. Dr. Russell P. Shedd, Vida Nova, S.Paulo, 1990).

 

Como poderia ser isto realizado a não ser através da precaução - e por que não dizer do Seu grande amor - que Cristo tomou para que Seu evangelho fosse pregado não só aos que vivem na terra, mas também a todos os que estão nos túmulos.

 

AIRTON – Deus é amor, mas também justiça. A Bíblia não dá respaldo à tese da salvação para todos. A condenação faz parte da vontade de Deus (Mt 10.28; 23.33; Jo 3.18; Lc 20.47; Jo 3.19; 5.24; Rm 3.8; 8.1; 13.2; 1 Tm 5.12; Tg 5.12; 2 Ts 1.9;  Ap 20.15; 21.8; 22.15). “Se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo, se não poupou o mundo antigo, embora preservasse a Noé, pregoeiro da justiça...assim sabe o Senhor reservar os injustos para o dia do juízo, PARA SEREM CASTIGADOS” (2 Pe 2.4-9).

 

 

Fraternalmente,

 

Irineu

PS. Na seqüência estarei postando os demais sub-temas, entretanto, fique a vontade se já desejar comentar este.

 

AIRTON

 

----- Original Message -----
From: irineu
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Wednesday, March 05, 2003 7:57 PM
Subject: [Apologética Aplicada] Batismo/Mortos - Ladrão na Cruz

 

Prezado Pastor Airton,

 

Depois de muito tempo ausente aqui do fórum, penso agora estar mais calmo aqui com meu trabalho e podemos, se assim ainda o desejar, retornar ao nosso assunto do Batismo e do Batismo pelos mortos.

 

Mais uma vez, obrigado por sua paciência em aguardar meu retorno e se predispor a responder-me.

 

Atualizando nossos subtemas, acrescentei o item que o senhor sugeriu (7).

 

1 - Ladrão na cruz

2 - Pregação do evangelho no Mundo Espiritual

3 - Visita de Jesus ao Mundo Espiritual

4 - Segunda chance

5 - Batismo e Fé X A Fé já é suficiente

6 - I Corintios 15:29

7 - Fé - Batismo – Salvação

 

Essa foi uma divisão que sugeri em um dos meus últimos posts.

 

Abaixo, reproduzo sua última mensagem. Esta foi seus comentários sobre o subtema No. 1, O Ladrão na Cruz. Reproduzo minha introdução ao assunto. Sua réplica está logo em seguida (em azul) e minha tréplica logo a seguir.

Peço-lhe a gentileza de ater-se a esse subtema para não desfocarmos do assunto em destaque, ou seja, a situação do ladrão arrependido na cruz e, não misturarmos com outro subtema do assunto principal que é o batismo e batismo pelos mortos.

 

1 - LADRÃO NA CRUZ

 

Para mim, o ladrão arrependido necessita - como qualquer outro - do batismo. O senhor acredita que por ele ter apenas crido, salvou-se e foi para o céu.

Quanto a interpretação sobre o ladrão na cruz já ter sido salvo devido a sua confissão terminal a Jesus, já que este havia lhe dito que ainda naquele dia estaria no Paraíso - e antes de qualquer conclusão apressada - leiamos o que Cristo disse a Maria, somente 3 dias após essa conversa que teve com aquele ladrão: "Não me detenhas, pois ainda não subi para meu Pai" (Jo. 20:17).

Como Cristo já houvera dito aos seus discípulos que Ele iria para a casa de Seu Pai, preparar uma morada para eles (João 14:2), é óbvio para qualquer um que o Paraíso a que Cristo se referiu na cruz ao ladrão, não era o reino de Deus, mas uma condição dos justos no mundo dos espíritos que esperam a ressurreição e o julgamento.

Tenha ainda em mente a solicitação do malfeitor: "LEMBRA-TE de mim quando entrares no teu reino".

Por sua vez, Jesus não prometeu a ele que o levaria para SEU REINO naquele dia, mas disse: "HOJE estarás comigo no PARAÍSO".

Sendo que Jesus morreu e só ressuscitou ao 3.º dia, naquele dia - o dia no qual falou com o ladrão - não podia estar no Seu Reino, - que não era o Paraíso - com o ladrão.

AIRTON - Reino dos céus, paraíso e céu são palavras que indicam a morada final dos santos. Todavia, o "REINO de Deus" pode significar não apenas um lugar, mas o "domínio espiritual e moral no qual Deus é supremo"; "não apenas um lugar, mas um estado de bem-aventuranças". Jesus começou seu ministério anunciando a chegada desse domínio do qual participariam todos os que O recebessem.  Veja: "Então chegou a vocês o Reino de Deus" (Mt 12.28). "Venha  o teu Reino" (Lc 11.2); "O Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: ´Aqui está ele´, ou `Lá está´; porque o Reino de Deus está entre vocês" (Lc 17.20-NVI - Em outras versões diz: `O Reino de Deus está dentro de vocês´). O "bom" ladrão certamente leu a inscrição na cruz: "JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS" (Jo 19.19); Talvez conhecesse  as palavras de Jesus, quando disse: "O meu  Reino não é deste mundo" (Jo 18.36). Sabendo disso,  manifestou o desejo de fazer parte desse Reino, no qual ingressou a partir daquele momento, pois, "aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus" (Jo 1.12).

 

Respeito, obviamente sua opinião, Pastor Airton, mas não entendo, nesse dialogo que Jesus teve com aquele ladrão, Dele falar de um reino que estaria dentro das pessoas, quando aceitasse-NO. Observe que o ladrão diz “quando entrares no Seu Reino”, o que é bem diferente de ter um “reino dentro de si”.

 

Também acredito que o senhor deixou a possibilidade da existência de um local para este reino quando disse: pode significar não apenas um lugar, ou seja, também pode ser um lugar.

 

É muito claro para mim que o ladrão não foi para o céu, pois o próprio Jesus na manhã de Sua ressurreição já tinha dito a Madalena que Ele não tinha ido para lá. Ora, Ele também houvera dito ainda na cruz ao ladrão, que este estaria com Ele NAQUELE DIA no paraíso: "HOJE estarás comigo no PARAÍSO".

 

É claramente dedutível que Jesus ao prometer ao ladrão que este estaria com Ele no Paraíso e, Ele, Jesus, não fora para o Céu, cf. disse para Madalena, fica claríssimo que o paraíso não é o Céu, mas um local distinto para onde vão todos aqueles que partem dessa vida.

 

Portanto, foi para lá que o ladrão foi e não para o Céu. Afinal, o ladrão não poderia chegar primeiro que Jesus...

 

Isso é plenamente coerente com o que relata Pedro da visita de Jesus ao mundo espiritual (paraíso) e satisfaz plenamente a misericórdia de Jesus em socorrer a todos aqueles que o procuram e ao mesmo tempo cumprir com toda a justiça com aqueles que retornarem ao Céu, sem privilégios com esse ou aquele.

 

Fraternalmente,

 

Irineu

No próximo post, continuarei respondendo a sua réplica.

 

----- Original Message -----
From: irineu
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Wednesday, March 05, 2003 8:10 PM
Subject: [Apologética Aplicada] Batismo/Mortos - Pregação do Evangelho no Mundo Espiritual

 

Prezado Pastor Airton,

 

Continuando...

 

O senhor continua seu post, mas agora verte para a pregação de Jesus no mundo espiritual, portanto, coloco este no subtema 2, Pregação do Evangelho no Mundo Espiritual.

 

O senhor escreveu: AIRTON - Note-se: "Eu te glorificarei na terra, completando a obra que me deste para fazer" (Jo 17.4); "Está consumado" (Jo 19.30). Na cruz, cessaram não só o sofrimento e a agonia de Jesus. Na verdade a sua obra de redenção fora consumada. Ele não continuaria pregando as Boas Novas por todos os séculos dos séculos. Não teria nada contra a pregação de Jesus no além, para oferecer nova oportunidade aos rebeldes. Jesus ficaria à entrada do lugar de tormentos e com certeza convenceria todos a seguirem com Ele para o céu. Mas as Escrituras não indicam esse caminho. A pregação do evangelho da segunda chance aproxima-se do  espiritismo, que admite quase infinitas chances ao espírito rebelde.

 

Aqui, talvez, exista um mal-entendido sobre nossa doutrina. Não acreditamos que Jesus esteja até hoje pregando o batismo aos mortos. Jesus passou apenas aqueles 3 dias lá. Durante aquele período, acreditamos que Ele chamou e comissionou outros – como fez entre os vivos - para pregarem o evangelho das boas novas para todos que não tiveram verdadeiramente esta oportunidade quando estiveram entre os vivos.

 

Não é uma segunda chance. Não ensinamos e nem entendemos assim. No mundo espiritual, o evangelho é pregado para todos aqueles que por “n” razões não tiveram condições de ouvir ou mesmo aceitar as boas novas de Cristo.

 

Alguns acreditam que a aceitação de Cristo deve ser muito fácil lá no mundo espiritual, pois quem não aceitaria a Jesus, depois de morto lá no mundo espiritual? A verdade é que todos os homens mantêm o seu livre arbítrio lá também. E assim como aconteceu, mesmo na época da pregação e milagres de Cristo, onde muitos presenciaram a tudo e ainda assim não o seguiram, lá também pode ocorrer o mesmo.

 

Só para ilustrar, meu avô contava que tinha um amigo que era muito amante dos prazeres do mundo. Gostava muito de beber e sair com muitas mulheres. Um dia, os dois conversando, ele perguntou para meu avô (que era adventista): José, para este Céu que vc deseja ir, terá bebida? Meu avô replicou: claro que não! Ele continuou: Terei as mulheres de vida fácil que tenho por aqui? Mais uma vez, meu avô respondeu: Não, essas coisas não existem no Céu. Então, ele disse: Então, José esse seu Céu não me serve, pois acho que lá eu não vou ter tudo isso...

 

No mundo espiritual, existem aqueles que aceitam e aqueles que não.

 

Fraternalmente,

 

Irineu

 


Cap. 30