O BATISMO PELOS MORTOS

 


Capítulo 27

 

----- Original Message -----
From: irineu
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Sunday, January 12, 2003 6:53 PM
Subject: [Apologética Aplicada] Visita de Jesus ao Mundo Espiritual - parte 1 (batismo pelos mortos)
 

Prezado Pastor Airton,

 

Sigamos nosso diálogo. Este sub-tema está dividido em 2 posts.

 

2 – Visita de Jesus ao Mundo Espiritual (parte 1)

 

“Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os MORTOS ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. Não vos maravilheis disto; porque vem a hora EM QUE TODOS os que estão nos SEPULCROS OUVIRÃO A SUA VOZ”. (João 5:25, 28.)

 

Interessante frisar que mesmo sendo uma escritura que fale sobre a ressurreição, esta processa ou co-relaciona importantes etapas e ensinamentos em suas entrelinhas.

 

Observe também aqui que não é uma mera figura de linguagem para simbolizar o pecador destituído da glória de Deus. Perceba o uso e a relação entre as palavras Mortos e Sepulcros. Elas são correlacionadas, intrínsecas e plenamente contextualizadas sobre o assunto enfocado.

 

Está claro que Jesus tinha em mente que, ao completar sua missão na terra, os mortos OUVIRIAM Sua VOZ.

 

Pedro também sabia disso ao escrever: “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; No qual também FOI, e PREGOU aos ESPÍRITOS em prisão; Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água” (1 Pedro 3:18-21).

 

FOI, ou seja, denota deslocamento e, em seguida Pedro diz, e PREGOU, ou seja, denota agora o uso da palavra, da fala...

 

Veja a coerência do evangelho. Primeiro, Cristo ensina aos seus discípulos que os mortos ouviriam Sua voz. Diz, inclusive, que eles não ficassem espantados, admirados por isso: “Não vos maravilheis...”

 

Depois, Pedro, um daqueles discípulos que deve ter ouvido aquelas palavras, anos depois escrevendo sua epístola, confirma as palavras de Jesus, afirmando que Este foi e Pregou aos mortos: “No qual também FOI, e pregou aos espíritos em prisão...”

 

Pesquisando sobre esse sub-tema em seus comentários (em azul) encontrei o texto abaixo (grifos e separação do texto são meus). Segue meus comentários em bordeaux.

 

AIRTON escreveu (30/12-02): Veja que a pregação foi "enquanto se preparava a arca".

 

O “enquanto se preparava a arca” não está se referindo a ida de Cristo, mas a pregação feita por Noé.

 

Isto está plenamente relacionada com as palavras ditas por Noé para aqueles que construíam a arca e em nada se relaciona à pregação de Cristo, àquela época, para aquelas pessoas.

 

Esses "espíritos em prisão", rebeldes, ouviram a pregação de Noé, inspirado pelo espírito de Cristo, que, por Sua divindade e eternidade, estava ali presente.

 

Também não vejo sentido eclipsar a ida de Cristo ao Mundo espiritual – que é claríssima nas palavras de Pedro – interpretando “ouviram a pregação de Noé, inspirado pelo espírito de Cristo”. Pois, Pedro diz textualmente que Jesus estava morto e foi em espírito pregar aos mortos.

 

Veja como Pedro escreve esse trecho: “mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; No qual também foi, e pregou aos espíritos.

 

Entende, Pastor Airton, Pedro dá uma explicação claríssima quando diz que Jesus estava mortificado na carne, ou seja, morto. Portanto, não entendo aquela interpretação "Noé pregou pelo espírito de Cristo", pois para isso Jesus teria que estar morto na carne, pois FOI ASSIM que Pedro referiu-se a Cristo.

 

Entretanto, Jesus não estava mortificado na carne na época de Noé, até porque Jesus nem tinha nascido ainda na vida mortal.

 

E sendo assim como poderia estar mortificado na carne? A menos que isso ocorreu depois de sua morte... E aí o texto fica claríssimo.

 

Também é interessante ver que Pedro diz, referindo-se ao “vivificado pelo espírito”, que NO QUAL, isto é em espírito, Ele foi e pregou aos espíritos em prisão.

 

Para mim é muito claro que Cristo, em espírito – sem corpo físico, pois deixou-o no seu túmulo - visitou o mundo espiritual.

 

(O restante de seu post, em azul, refere-se a pregação do evangelho e não mais especificamente a ida de Cristo, por isso estarei comentando no outro post sobre esse sub-tema).

 

É interessante observar ainda, que um pouco mais a frente em sua epístola, Pedro, reforça sobre essa visita de Jesus ao Mundo espiritual escrevendo e explicando o porque dessa ida: “Porque por isto foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito”. (1 Pedro 4:6)

 

Alguns, pensam que a palavra “mortos” tem uma conotação simbólica e quer dizer aqueles que estão afastados das coisas de Deus, mortos em seus pecados ou outros conceitos afins.

 

Entretanto, não é esse o sentido das palavras de Pedro. Observe no versículo 2 do mesmo capítulo 4 que Pedro quando se refere a “mortos”, realmente quer dizer mortos, ou seja, alguém que não está entre nós, os vivos, nessa vida.

 

Ele diz, um pouco antes (v. 2): “Para que no tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus”

 

Tempo que vos “resta na carne”, ou seja, antes de morrer ou tornar-se um morto, propriamente dito.

 

Não é claro isso? O evangelho foi pregado a eles, os mortos, para que eles fossem “julgados na carne segundo os homens”.

 

Portanto, quando Pedro usa a palavra morto, ele está referindo-se realmente aos mortos na acepção da palavra.

 

Assim, o evangelho fica ao alcance de todos os filhos de Deus, estejam eles vivos ou mortos, quando tomarem conhecimento das boas novas de Cristo.

 

Entretanto, a grande maioria dos filhos VIVOS de nosso Pai Celestial não gozarão desse privilégio e foi a compreensão de Paulo deste grande principio, isto é, da pregação do evangelho aos mortos, que o fez escrever: “Se esperamos em Cristo só nesta VIDA, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1 Coríntios 15:19.)

 

Mesmo sendo uma referência à ressurreição, depreende também uma perfeita conexão com a esperança de salvação para os mortos também.

 

Também, interessante lembrar que essa declaração de Paulo encontra-se no mesmo capítulo (1 Cor. 15) que fala sobre o batismo pelos mortos

 

Segue na parte 2...

 

Fraternalmente,

 

Irineu

 

 

----- Original Message -----
From: Airton Evangelista da Costa
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Wednesday, January 15, 2003 7:14 AM
Subject: Re: [Apologética Aplicada] 1 - Ladrão na Cruz - Batismo pelos Mortos

Amado Irineu,
 
Suas respostas estão arquivadas para serem apreciadas e respondidas, Deus sabe quando. A dinâmica do nosso "debate" segue um ritmo lento, sem a sofreguidão das intervenções imediatas. Como já citei anteriormente, nossa conversa (não gosto de usar a palavra debate) convergiu para um ponto crucial, importante: a pregação do evangelho aos mortos. O batismo pelos mortos só se justifica se realmente houver pregação do evangelho aos mortos e conseqüente conversão. Dito isto, creio que está faltando inserir na relação apresentada o tópico fé-batismo = salvação.
 
Em determinada ocasião o amado disse que é necessário CRER ANTES. Isto é lógico e verdadeiro. A Igreja de Cristo assim procede. Porém, quando ocorre o batismo pelos mortos, os mórmons não tomam conhecimento se referido morto já ouviu e se aceitou a Palavra pregada por Jesus ou por seus emissários. O amado, em mensagem anterior, acenou com a hipótese de os mortos se comunicarem em sonhos com seus parentes. Ao dizer que esses sonhos não ocorrem com  irmãos evangélicos - pelo menos até onde saiba - coloquei dúvida quanto à eficácia de tal expediente. Na seqüência, o amado  não mais se aprofundou na questão dos sonhos, dizendo tratar-se apenas de um detalhe. Ficou em aberto a questão. Se os mórmons não possuem meios de saber quem aceitou e quem não aceitou, quem ouviu, quem não ouviu o Evangelho no mundo dos mortos, por que procedem o batismo? Não seria pecado batizar uma "pessoa" descrente? Não ficaria alterada a ordem CRER - BATISMO - SALVAÇÃO? Não é necessário CRER ANTES?  Então, seria bom incluir essa questão nos tópicos apresentados.
 
No amor de Cristo
 
Pr Airton Costa

Cap. 28