O BATISMO PELOS MORTOS

 


Capítulo 25

 

----- Original Message -----
From: Airton Evangelista da Costa
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Monday, December 30, 2002 1:41 PM
Subject: Re: [Apologética Aplicada] Perguntas sobre O Batismo

 
Amado Irineu,   Paz e Graça.
 
Eis a resposta abaixo:
 
----- Original Message -----
From: irineu
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Monday, December 23, 2002 8:37 PM
Subject: [Apologética Aplicada] Perguntas sobre O Batismo

Prezado Pastor Airton,
 
Já trocamos bastante mensagens a respeito do batismo e do batismo pelos mortos.
 
Dei, reenfatizei, justifiquei minhas crenças sobre esse assunto e, agora, gostaria por gentileza, para que eu também possa entender diretamente seu ponto de vista que o sr. respondesse as perguntas abaixo, ok?
 
O objetivo dessas não é gerar um debate sem-fim, mas deixar claro nossos pontos de vistas e as justificativas para tal. Se vamos crer ou não é um assunto que julgo de foro íntimo de cada um com nosso amado Pai Celestial.
 
AIRTON - Só gera debate sem fim quando passamos a repetir os mesmos argumentos. O que já foi dito e debatido não mais precisa ser repetido. Da minha parte só exponho, não imponho. Aqui não há vencidos nem vencedores, mas exposição de argumentos em defesa da fé que abraçamos. O debate tem maior valor, creio, para os novos mórmons e novos cristãos evangélicos pra que melhor compreendam suas respectivas crenças e possam aprender um pouco mais com o que aqui foi exposto. Por isso, sugiro repassar nossas considerações em sites do mormonismo, salvo melhor juízo.
 
Obrigado por sua gentileza para tal.
 
1 - Como o sr. entende a clara ordem de Cristo de que somente serão salvos aqueles que crerem e forem batizados? Por gentileza, comente especificamente sobre as palavras do Salvador nesse contexto?
 
AIRTON - Creio claramente que as pessoas que de coração aceitam a Cristo devem ser batizadas em cumprimento à ordenança de Jesus. E o são. Todos os cristãos são batizados. Não entro aqui na discussão das formas de batismo (imersão, aspersão, etc). O mandamento é cumprido, tanto quanto é cumprido o de participar da Ceia, de orar uns pelos outros, amar a Deus sobre todas as coisas, ser humilde, e outros. Quanto à salvação depender do batismo, discordo do ponto de vista do mormonismo e muito mais ainda do batismo após a morte. Outros versículos da Bíblia nos conduzem ao entendimento de que somente a fé - a fé salvífica -= pode salvar, tais como Efésios 2.8-9, João 3.18, Lucas 23.43. Sobre o ladrão, perdoado e salvo independente do cumprimento de qualquer ordenança, já me manifestei. Também já falei sobre a questão do "paraíso" / céu. A ênfase é dada à fé. A pessoa será batizada porque crê. A pessoa é salva, não por ser batizada, mas porque crê. O batismo é um sinal externo de conversão interior. Primeiro ela se salva; depois se oferece ao batismo, porque "quem não crê será condenado" (Mc 16.16; Jo 3.18). Seria muito lamentável que uma pessoa na UTI, que tenha aceitado a pregação com alegria,  tenha se arrependido, mas que não possa ser batizada, seria muito estranho que essa pessoa não receba a graça da salvação, a exemplo do ladrão na cruz. Mais estranho ainda que essa pessoa fique dependendo de um batismo posterior.
 
2 - Se se bastasse crer em Jesus, sem a necessidade do batismo, por que os apóstolos teriam um trabalho enorme em batizar quase 3000 pessoas?
Não seria muito mais fácil manda-los de volta para casa já que todos tinham crido? Mas, ao invés disso preferiram cumprir com a ordem de Cristo que expressa e diretamente já os tinha dito que aqueles que cressem deveriam ser batizados.
Como o sr. explica isso, repito A LUZ DAS PALAVRAS DE JESUS: "Aquele que crer e for batizado será salvo?
 
AIRTON - Fizeram eles o que fazemos nós, ou seja, batizamos todos os que aceitam com alegria a Palavra.
 
3 - Por que as palavras de Paulo são tão usadas para defender a crença de que basta aceitar Cristo e será salvo, se o próprio Paulo teve que ser batizado?
 
AIRTON - Pelas mesmas razões já expostas. Havendo possibilidade de cumprirmos as ordenanças, cumpramos. Todos devem ser batizados.
 
4 - Por que Jesus - conforme Pedro ensinou - visitou o mundo espiritual? Por que isso foi necessário?
 
AIRTON - Creio que o amado está se referindo a 1 Pedro 3.18-20: "Ele, na verdade, foi morto na carne, mas vivificado pelo Espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais noutro tempo foram rebeldes, quando da longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca..."  Veja que a pregação foi "enquanto se preparava a arca". Esses "espíritos em prisão", rebeldes, ouviram a pregação de Noé, inspirado pelo espírito de Cristo, que, por Sua divindade e eternidade, estava ali presente. Se considerarmos a hipótese de tratar-se de espíritos dos rebeldes que morreram no dilúvio, qual seria a finalidade da pregação do Evangelho, se os que morrem na injustiça já estão condenados; se a Bíblia ensina que não há uma nova chance, como já demonstrei em mensagem desta data? Invadindo a bolha doutrinal do mormonismo, verifico alguma incongruência. O mormonismo sugere a seguinte matemática : FÉ + BATISMO = SALVAÇÃO. E apregoa que o batismo pós-morte pode ser considerado válido nessa operação. Qual a possibilidade, ainda que remota, de os rebeldes, condenados e mortos no dilúvio, depois de terem recebido com alegria a pregação de Jesus, serem algum dia batizados? Jesus estaria jogando todas as suas fichas na crença mórmon, que surgiria muitos séculos depois? Estaria Jesus consciente de que um dia se fará o levantamento  genealógico dessas vidas, e o batismo será feito? Não há como entender que Jesus teria pregado sem um  objetivo. Ora, se pregou o Evangelho, teve o objetivo de salvar almas. Mas Ele ficaria dependendo do batismo aqui na terra? Esquisito, não? E se não providenciarem esse batismo a tempo, antes da vinda do Senhor, a pregação de Jesus seria em vão? E como ficarão as diversas passagens bíblicas que dizem que a situação após a morte é irreversível? Aliás, apoiada pelo próprio mormonismo, como vimos na mensagem hoje veiculada (Alma 12.16-18, 27)?
 
5 - Por que o ladrão arrependido não foi para o Céu, conforme já detalhei anteriormente?
 
AIRTON - Já me reportei sobre essa questão. É só buscar minhas últimas mensagens. Se ir para o paraíso com Jesus não representasse garantia de salvação, Jesus teria dito algo completamente dispensável. Jesus disse "irás comigo". Bom lembrar que Jesus entregou Seu espírito ao Pai.
 
Em seguida após as suas respostas, gostaria de abordar um outro assunto que imagino o sr. bem conhece e crêr, que é o dom de línguas. Ok?
 
AIRTON - Poderia ser numa troca de opiniões à parte do assunto BATISMO PELOS MORTOS.
 
Fraternalmente,
 
Irineu
 
AIRTON

 

----- Original Message -----
From: irineu
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Monday, December 30, 2002 8:19 AM
Subject: [Apologética Aplicada] Perguntas Relacionadas ao Batismo

 
Prezado Pastor Airton,
 
Sei que o tempo é algo imprevisível e que muitas vezes temos que prioriza-lo para uma melhor administração.
 
Entendendo assim, peço-lhe que assim que puder, estarei aguardando seus comentários as 5 perguntas (mais o PS) que lhe fiz em meu último e-mail sobre o tema que estamos dialogando, o qual, para facilitar o acesso reproduzo abaixo.
 
Grato,
 
Irineu 
 
----- Original Message -----
From: irineu
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Monday, December 23, 2002 8:37 PM
Subject: [Apologética Aplicada] Perguntas sobre O Batismo

 
Prezado Pastor Airton,
 
Já trocamos bastante mensagens a respeito do batismo e do batismo pelos mortos.
 
Dei, reenfatizei, justifiquei minhas crenças sobre esse assunto e, agora, gostaria por gentileza, para que eu também possa entender diretamente seu ponto de vista que o sr. respondesse as perguntas abaixo, ok?
 
O objetivo dessas não é gerar um debate sem-fim, mas deixar claro nossos pontos de vistas e as justificativas para tal. Se vamos crer ou não é um assunto que julgo de foro íntimo de cada um com nosso amado Pai Celestial.
 
Obrigado por sua gentileza para tal.
 
1 - Como o sr. entende a clara ordem de Cristo de que somente serão salvos aqueles que crerem e forem batizados? Por gentileza, comente especificamente sobre as palavras do Salvador nesse contexto?
 
2 - Se se bastasse crer em Jesus, sem a necessidade do batismo, por que os apóstolos teriam um trabalho enorme em batizar quase 3000 pessoas?
Não seria muito mais fácil manda-los de volta para casa já que todos tinham crido? Mas, ao invés disso preferiram cumprir com a ordem de Cristo que expressa e diretamente já os tinha dito que aqueles que cressem deveriam ser batizados.
Como o sr. explica isso, repito A LUZ DAS PALAVRAS DE JESUS: "Aquele que crer e for batizado será salvo?
 
3 - Por que as palavras de Paulo são tão usadas para defender a crença de que basta aceitar Cristo e será salvo, se o próprio Paulo teve que ser batizado?
 
4 - Por que Jesus - conforme Pedro ensinou - visitou o mundo espiritual? Por que isso foi necessário?
 
5 - Por que o ladrão arrependido não foi para o Céu, conforme já detalhei anteriormente?
 
Em seguida após as suas respostas, gostaria de abordar um outro assunto que imagino o sr. bem conhece e crêr, que é o dom de línguas. Ok?
 
Fraternalmente,
 
Irineu
 
PS. Em uma troca anterior de msgs, perguntei-lhe:
- Eu escrevi tanto sobre esse tema que não sei exatamente aonde escrevi isso que o senhor disse que eu citei: "somente dos mortos que em vida creram em Jesus. Poderia, por gentileza, me dizer em qual texto eu escrevi isso para que eu possa perceber o contexto disto?
 
Ao que o sr. me respondeu:
 
AIRTON - Continuarei procurando nas muitas mensagens arquivadas...
 
Pergunto outra vez: O sr. já encontrou essa afirmação que eu teria dito? Se sim, por gentileza, diga-me para que eu possa perceber o contexto e assim não deixar dúvidas sobre. Obrigado.
 
 
----- Original Message -----
From: Airton Evangelista da Costa
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Thursday, January 02, 2003 12:28 PM
Subject: Re: [Apologética Aplicada] Perguntas Relacionadas ao Batismo
 
Amado Irineu,
 
Já respondi a todas as mensagens. Confirme se não recebeu para que eu volte a encaminhar. Está faltando apenas à mensagem dirigida a mim e ao pastor Norberto.
 
Airton
 
 
----- Original Message -----
From: Airton Evangelista da Costa
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Thursday, January 02, 2003 12:30 PM
Subject: Re: [Apologética Aplicada] Mensagens pendenetes
 
Amado Irineu,
 
A causa do não recebimento das mensagens talvez seja o atraso informado abaixo, pelo Moderador.
 
AIRTON
 
 
----- Original Message -----
From: "Norberto Carlos Marquardt" <defesadafe@tele-fe.com.br>
To: <defesadafe@yahoogrupos.com.br>
Sent: Wednesday, January 01, 2003 11:06 AM
Subject: [Apologética Aplicada] Mensagens pendenetes

Amigos apologistas,

Estou de férias no RS e as mensagens atrasadas que agora foram
liberadas, o foram com atraso devido o moderador auxiliar ter deixado
para mais tarde.

 

----- Original Message -----
From: Airton Evangelista da Costa
To: Apologetica Aplicada
Sent: Saturday, January 04, 2003 1:06 PM
Subject: [Apologética Aplicada] BATISMO PELOS MORTOS

                                                                      BATISMO PELOS MORTOS

-         1 Pedro 3.18,19; 4.6 –

 

Amado Irineu,

 

Somente agora estamos explorando os verdadeiros motivos pelos quais batizam-se pelos mortos. Quem o pratica, a exemplo do mormonismo, imagina que o evangelho continua sendo pregado no além aos espíritos que, na vida terrena, se rebelaram contra Deus e agora se encontram aprisionados num lugar de tormentos.  Esses batizadores partem da premissa de que, se há uma nova chance pela pregação do evangelho aos mortos, há mortos que se arrependem, se convertem e são perdoados. Admitem que além disso precisam ser batizados porque “quem crer e for batizado será salvo”. Como, por óbvias razões,  os espíritos não podem ser batizados, pessoas, representando esses mortos, são batizadas aqui na terra. Como já disse anteriormente, há falhas incontornáveis nesse sistema. É que a equação “fé + batismo = salvação”, apregoada como indispensável, é alterada e violada no batismo da segunda chance. Ora, os mórmons não têm a mínima condição de saber, primeiro se o evangelho foi de fato pregado ao morto agora batizado; segundo, se o morto aceitou a pregação de todo o seu “coração”, se foi perdoado, e se “permanece” em Cristo.  Dá-se, portanto, lugar a que um condenado seja batizado. O remendo torna-se pior. Além do mais, estariam violando a mencionada equação, tão zelosamente defendida. Outra dificuldade insuperável é que o evangelho da segunda chance contraria a palavra do próprio Jesus:  “Quem nele não crê já está condenado”. No batismo pelos mortos vejo vários erros doutrinários:  primeiro, julgar que Jesus continua sua missão evangelística no mundo espiritual;  segundo, admitir que haja possibilidade de conversões após a morte; terceiro, admitir que Jesus só pode perdoar pecados no além após o batismo; quarto, admitir que o batismo terreno contorna essa dificuldade.  Seguindo o curso do raciocínio acima, os mórmons batizam condenados. 1 Pedro 3.18-19 e 4.6, abaixo examinados,  são os versículos-base para esse tipo de batismo, apresentados pelos defensores da segunda chance. Este intróito se faz necessário aos que não acompanharam desde o início o assunto, ou que o fizeram  parcialmente.  Dito isto, passo a responder.

 

Mensagem de 25.12.2002:

 

IRINEU - Prezado Norberto e por extensão Pastor Airton (já que estamos focando o mesmo assunto),

 

Eu tenho em minha biblioteca e no micro algumas Bíblias que traduzem de forma diferentes uma mesma escritura.

 

Isso inegavelmente é um problema, pois dependendo do assunto em lide, isso pode produzir diferentes interpretações doutrinárias.

 

A que citei, entretanto, foi retirada ao ermo de uma tradução que possuo no micro chamada Bíblia Sagrada Colaboração Thélos, que estava mais a mão.

 

IRINEU - Mas, mesmo assim, o fato que estou a destacar é que Cristo foi e pregou aos mortos no mundo espiritual e, isso independente das variadas traduções bíblicas existentes corroboram entre is em sua esmagadora maioria.

 

AIRTON – “Foi e pregou aos mortos no mundo espiritual”. Jesus não pregou “aos” mortos; pregou “a” mortos. “Aos mortos” diz respeito a uma pregação coletiva. “A mortos” fala de uma pregação seletiva. Em nenhum lugar da Bíblia diz que Jesus pregou ou continua pregando a todos os espíritos desencarnados, com vistas a dar-lhes uma nova chance. Por justiça, se pregou a um grupo, deverá continuar oferecendo salvação a todos os mortos, a Judas Iscariotes, a Nero, Herodes e outros. Aqui começam os primeiros empecilhos, pois “se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os lançou nas cadeiras da escuridão; não poupou o mundo antigo, dos tempos de Noé, “pregoeiro da justiça”...assim sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados” (2 Pe 2.4-10).

Ao falar da pregação aos “espíritos em prisão” (1 Pe 3.19), Pedro seleciona esses espíritos.  São os espíritos que “foram rebeldes”, não deram crédito à pregação de Noé, “enquanto se preparava a arca”.  Não há como admitir que Jesus tenha pregado a um grupo especial de espíritos desencarnados (usando aqui a nomenclatura do espiritismo), em detrimento dos demais. Na verdade, se admitirmos que “espíritos em prisão” são os que estão no inferno, condenados, Jesus teria agido injustamente. Por que não pregar a todos? Para ser Justo Juiz deveria fazer pregação coletiva, e continuar até hoje. Mas onde está escrito que Ele continua pregando?

Pelo texto de 1 Pedro 3.18-19 vê-se que Jesus pregou aos contemporâneos de Noé. Se os “espíritos em prisão” eram contemporâneos de Noé, não podiam ser espíritos de pessoas mortas. Eram pessoas vivas, rebeldes, aprisionados em seus pecados e que no tempo em que Pedro escreveu estavam em prisão de tormentos. A pregação de Jesus não foi entre sua morte e ressurreição, nem depois desta. Descarta-se a primeira hipótese porque Jesus não iria adentrar o inferno em estado de fraqueza, ou seja, antes de vencer a morte pela ressurreição. A segunda, porque, ao morrer, entregou seu espírito ao Pai. Ressuscitado, após aparecer aos seus, subiu para o céu. Ao ladrão na cruz disse que iriam juntos para o paraíso. Então, a ligação de Jesus foi sempre com o céu. Carece de revisão a tese de que Jesus desceu ao inferno e levou os “cativos” (?) e o cativeiro que estavam no seio de Abraão. Maior revisão merece a idéia de que espíritos aprisionados no inferno tenham possibilidade de salvação e até o privilégio de ouvirem uma pregação evangélica pelo Redentor. Se correta essa tese, Jesus estaria sempre visitando o inferno, não só para pregar aos recém chegados, mas para renovar a pregação aos indecisos. Com sua persistência, longanimidade e convencimento, esvaziaria rapidamente o inferno.

Consideremos que Jesus pregou a “espíritos em prisão” no Seu estado de “espírito vivificado” (1 Pe 3.18). Não pregou no Espírito Santo ou pelo Espírito Santo. O texto fala da Pessoa de Jesus; não se refere à terceira pessoa da Trindade. “Vivificado pelo espírito”,  foi e pregou nos tempos de Noé. Pregou através deste, o “pregoeiro da justiça”, pois o Filho, o Verbo antes de encarnar-se, estava nos profetas e pregadores doutrora (1 Pe 1.10,11).  Somente nesta condição Jesus poderia pregar aos contemporâneos de Noé. Neste contexto, só podemos traduzir “vivificado em espírito” como expressão do estado divino de  Jesus, como o “Verbo que estava com Deus e era Deus” (Jo 1.1).

 

IRINEU - Para mostrar a imparcialidade desse assunto, cito o comentário da famosa obra de Russel Norman Champlin, Ph. D. "O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo", obra conceituadíssima entre os evangélicos.

Observe os pontos abaixo retirados dessa obra:

- Porém, em nossa passagem (I Pedro 4:6), como também em I Pedro 3: 19-20, Pedro, por iluminação divina, afirma claramente que os caminhos da salvação de Deus não terminam juntamente com a vida terrena, e que é o evangelho pregado além do sepulcro, no caso daqueles que partiram desta vida sem ter o conhecimento do mesmo.

 

João Damasceno, em seu livro "Fonte do Conhecimento"(inicio do século VIII DC.), no qual faz um estudo sistemático da teologia da igreja primitiva, assevera que todos os pais gregos e todos os primeiros concílios eclesiásticos defendiam o ponto de vista que a descida de Cristo ao hades produziu resultados benéficos. Quase todos os intérpretes concordam que a menção aos mortos, neste ponto, relembra a descida de Cristo, que tem sido descrita ultimamente. Basta menos de um minuto para ler de 1 Ped. 3:18 a 4:6, pelo que o tema ainda estava bem fresco na mente de Pedro.

 

AIRTON – Exatamente. Pedro continuou dizendo que o evangelho tem sido  pregado aos mortos, aos espíritos aprisionados em seus pecados, aos rebeldes que agora estão mortos, para quê?  “Para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito” (1 Pe 4.6). “Julgados na carne” diz respeito á morte, ao fim da existência na terra. Após passarem desta para a outra vida, os que receberam a pregação em vida, porém agora mortos, poderão desfrutar do supremo gozo de viverem com Deus. O objetivo da pregação é para que “vivessem segundo Deus em espírito”. Este estado é de não limitação; não mais limitados pela carne. A leitura corrida fica assim: “O evangelho foi pregado aos mortos para que fossem julgados segundo os homens na carne”. Ora, qual a relação entre a pregação a espíritos em prisão e o julgamento “segundo os homens na carne?”.  Qualquer que seja a interpretação dada a esta expressão não pode haver correlação com o mundo espiritual.   Os espíritos em prisão no inferno já passaram pelo julgamento da morte, comum aos homens, e pelo julgamento de Deus. Seria o mesmo que dizer: “O evangelho foi pregado aos mortos para que depois de mortos possam viver com Deus”.

 

IRINEU - Alguns, entretanto, não se satisfazem com essa interpretação, com bases dogmáticas a priori, por terem aceito o conceito que é impossível qualquer bem aos perdidos, uma vez que eles morram. Apesar dessa idéia ser popular no meio evangélico de hoje, continua sendo a voz da minoria. Mas, a fim de evitar a clara inferência de trechos como 1 Ped. 3:18-20 e 4:6, vários estudiosos têm inventado explicações como a que diz que Cristo pregou, por seu Espírito, na pessoa de Noé, durante a vida terrena daqueles que agora se acham na prisão. Portanto, eles estão mortos agora, mas estavam vivos quando ouviram a prédica de Noé. Alford (in loc.) diz que se pudermos interpretar desse modo o grego original das duas passagens referidas, então podemos fazer o N.T. dizer o que bem quisermos.

 

Os mortos foram evangelizados. Isso define a pregação aludida em 1 Ped. 3:19. Cristo pregou o evangelho aos mortos. Alguns dos primeiros pais da igreja pensavam que o ato de pregar, em 1 Ped. 3:19, se aplica somente a Cristo, ao passo que o pregar o evangelho se aplica ao ministério subseqüente dos apóstolos, no hades. Seja como for, “.. .o evangelho também foi pregado a eles, com o propósito de dar-lhes o meio de se livrarem da ira de Deus” (Steiger, in loc.). Assim também opina Bigg (in loc.): "A idéia parece ser que Deus não julgará cada homem até que, finalmente, a verdade inteira lhe tenha sido revelada. Se essa interpretação é correta, então a "pregação" é a mesma referida em 1 Ped. 3:19, embora a audiência, neste ponto, inclua todos aqueles que morreram antes da descida de Cristo ao hades, ocupado por santos ou pecadores.

 

AIRTON – Ás vezes ficou sem saber se estou debatendo com o amado Irineu, ou com os ilustres pensadores Steiger, Bigg, Alford e outros. Vamos lá. “Os mortos foram evangelizados” – Carece de fundamento bíblico, como acima. Se os espíritos dos mortos foram evangelizados, este trabalho deveria continuar, por justiça. “Deus não julgará cada homem antes de receberem a verdade”. Deus promulgou suas verdades de tal modo que nenhum homem pode alegar desconhecimento delas, “pois os atributos de Deus, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, com a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que foram criadas, de modo que eles [os homens] são indesculpáveis” (Rm 1.20). Em mensagem anterior, expliquei o assunto detalhadamente. Jesus espera que o evangelho seja pregado a todas “as nações”, antes do fim (Mt 24.14). A missão de Jesus em prol da redenção da humanidade encerrou-se quando Ele disse “Está consumado” (Jo 19.30).

 

IRINEU  - O sentido simples é, aqueles que estavam mortos quando o evangelho lhes foi pregado, ou seja, eram espíritos humanos desencorporados. E isso concorda com o que diz Bigg (in mc.): "Os mortos devem ser reputados de acordo com o sentido óbvio da palavra: estavam mortos quando o anúncio lhes foi feito".

 

AIRTON – Se “estavam mortos, quando o anúncio lhes foi feito”, não são os contemporâneos de Noé. Se morreram na desobediência, estão numa situação irreversível e condenados (Lc 16.19-31). Em mensagem de 30.12.2002  dissertei sobre a inexistência de uma segunda chance.

 

IRINEU - Portanto, Norberto, não é uma doutrina apenas advogada pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mas corroborada por estudiosos evangélicos que percebem a clareza da ida de Cristo ao mundo espiritual, no qual, o evangelho, as boas novas do Cordeiro de Deus, foi pregada para aqueles que não tiveram a oportunidade de tê-la em vida.

 

AIRTON – Lembrando que a mensagem foi para mim e Norberto, em razão do que estou respondendo. Pelo exposto, o trabalho evangelístico continua no além-túmulo, pois muitos morrem sem conhecer o evangelho. Todavia, não entendo que haja evangelização junto aos condenados.       “Aqueles que não tiveram oportunidade” – Se a referência diz respeito aos do tempo de Noé, eles tiveram         oportunidade. Do contrário, não seriam tratados como "rebeldes". A rebeldia provém de uma reação a uma ação. Eles reagiram negativamente às palavras de juízo do profeta Noé, em que Cristo se fazia presente.          

 

Fraternalmente,

Irineu

Airton


Cap. 26