O BATISMO PELOS MORTOS

 


Capítulo 19

 

----- Original Message -----
From: Airton Evangelista da Costa
To: Apologetica Aplicada
Sent: Thursday, December 12, 2002 8:52 AM
Subject: [Apologética Aplicada] BATISMO PELOS MORTOS

BATISMO PELOS MORTOS
 
Amado Irineu,
 
Em complemento a minha última mensagem, respondo à sua pergunta, como a seguir:
AIRTON
 
IRINEU - Pessoas essas que nunca ouviram falar de Cristo, inclusive existindo em nossos dias muitos lugares onde o evangelho não é pregado. E essas pessoas se já não morreram vão morrer sem esse conhecimento.  O que acontecerá com essas pessoas? Estarão salvas? Perdidas? Qual sua opinião sobre?

AIRTONA Lei de Deus foi promulgada de forma gradual da seguinte forma:  (a) escrita na natureza (Sl 69.1; Rm 1.20); escrita na consciência dos homens (Rm 2.14-15); escrita em tábuas de pedra (Êx 24.12); por meio de Cristo, a Palavra Vivente (Jo 1.14); pelas escrituras (Rm 15.4); no coração (Rm 2.14-15; 10.8; Jr 31.33); por meio dos filhos de Deus, como “cartas vivas” (2 Co 3.2-3).

Diante disso, todos os homens têm a consciência do divino, ainda que nunca tenham ouvido falar em Cristo. Deus tem se manifestado aos homens em todos os tempos, pois “suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles [os homens] fiquem inescusáveis [sem culpa]” (Rm 1.20).

A Bíblia diz que todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus (Rm 3.23). A propensão para o pecado, herdada da primeira desobediência, levou os homens a “amarem mais as trevas do que a luz” (Jo 3.19). Essa inclinação para o mal não impede o homem de proceder de acordo com a lei natural gravada no seu coração.

Acredito nos diferentes graus de castigo, conforme privilégios e responsabilidade de cada um (Mt 23.14; Hb 10.29), e diferentes graus de glória no novo céu (1 Co 15.41-42), confrontando esses versículos com Lucas 12.47-48. A verdade é que o Justo Juiz julgará com justiça.  O homem na sua pequenez não tem condições de alcançar a profundidade dos mistérios que envolvem o julgamento de Deus. Tal como o Seu amor, excede nosso entendimento (Ef 3.19).

 

----- Original Message -----

From: Airton Evangelista da Costa
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Thursday, December 12, 2002 9:16 AM
Subject: Re: [Apologética Aplicada] Batismo Pelos Mortos - Pastor Airton

 
 BATISMO PELOS MORTOS
 
Amado Irineu, Respondo, como abaixo:
 
Airton
 
----- Original Message -----
From: IRINEU2
Sent: Thursday, December 05, 2002 4:28 PM
Subject: [Apologética Aplicada] Batismo Pelos Mortos - Pastor Airton

 
Pastor Airton,
 
As respostas sobre suas ponderações à doutrina bíblica do batismo pelos mortos, conforme ensinada por Paulo, serão gradualmente respondidas a partir daquela sequencia de perguntas que enviou-me e que estarei respondendo.
AIRTON - Já providenciado.
 
IRINEU - Entretanto, não entendi duas partes desse paragrafo de seu texto:
- "Todavia, fiqauei sem entender sua afirmação sobre o batismo "somente dos mortos que em vida creram em Jesus".
 
AIRTON - Continuarei procurando nas muitas mensagens arquivadas. Diante de sua colocação acima, imagino que o mormonismo ensina ser possível conversão após a morte. Este caso poderá ser objeto de debate em outra oportunidade. Para não abrir muito o leque dos assuntos sob comentário, parece-me razoável que continuemos em batismo pelos mortos e necessidade desse batismo para a salvação.
 
ININEU - E a outra parte é:
Folheando dito dicionário, encontrei o seguinte: "Batismo pelos mortos - Esta doutrina, peculiar aos mórmons, é descrita no livro DOUTRINA E CONVÊNIOS como necessária para a salvação das almas dos que morreram antes da restauração da verdadeira igreja, em 1830 (128.5)".
 
Poderia, por gentileza, dizer-me duas coisas:
 
1a) Eu escrevi tanto sobre esse tema que não sei exatamente aonde escrevi isso que o senhor disse que eu citei: "somente dos mortos que em vida creram em Jesus. Poderia, por gentileza, me dizer em qual texto eu escrevi isso para que eu possa perceber o contexto disto?
AIRTON = Já expliquei acima.
 
2a)Qual é esse dicionário que o senhor diz que "folheando dito dicionário..."? É de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias? Se sim, poderia citar-me o autor?
 
AIRTON - "Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo, de George A. Mather & Larry A. Nichols, Editora Vida, S.Paulo, 2.000. Seria o caso de o amado confirmar ou não as informações postadas.
 
Quanto aos demais assuntos que citastes - em função de meu tempo - gostaria de comenta-los um pouco mais a frente, até para não misturar muitos assuntos.
 
Gostaria ainda, de ter sua resposta sobre a pergunta que lhe enviei no último post, a qual repriso abaixo:
 

O que acontece ou aconteceu com aquelas pessoas que morreram sem conhecerem o evangelho de Cristo?

Pessoas essas que nunca ouviram falar de Cristo, inclusive existindo em nossos dias muitos lugares onde o evangelho não é pregado. E essas pessoas se já não morreram vão morrer sem esse conhecimento.

O que acontecerá com essas pessoas? Estarão salvas? Perdidas? Qual sua opinião sobre?

 

AIRTON - Já respondido em mensagem desta data.

 
Fraternalmente,
 
Irineu
Ps. Qual sua religião Pastor Airton/
AIRTON - Cristã evangélica.  
----- Original Message -----
From: Airton Evangelista da Costa
To: Apologetica Aplicada
Sent: Thursday, December 19, 2002 11:54 PM
Subject: [Apologética Aplicada] Batismo pelos mortos
 

Batismo pelos mortos – 1 Coríntios 15.29

 

“Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles, então, pelos mortos?” (Bíblia de Estudo Pentecostal)

 

“Se não fosse assim, que proveito teriam aqueles que se fazem batizar em favor dos mortos? Se os mortos realmente não ressuscitam, por que se fazem batizar em favor deles?” (A Bíblia de Jerusalém)

 

“Se não há ressurreição, que farão aqueles que se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que se batizam por eles?” (Bíblia - Nova Versão Internacional).

 

“Agora, quanto às pessoas que se batizam pelos mortos, pergunto o seguinte: se os mortos não ressuscitam, por que é que essas pessoas se batizam por eles?” (A Bíblia na Linguagem de Hoje).

 

O batismo pelos mortos, ensinado e praticado pelo mormonismo,  consiste em uma pessoa ser batizada em lugar de outra, já falecida. Consideram que o crente falecido antes de ser batizado só será salvo se cumprida tal ordenança. Apresentam ainda, como reforço, Marcos 16.16: “Quem crer e for batizado será salvo”. Analisemos as palavras do apóstolo Paulo.

 

1 Coríntios 15.29 não é uma passagem muito clara, mas nenhuma das interpretações existentes contempla o apoio das escrituras ao batismo pelos mortos. O batismo nas águas sempre se procedeu de corpo presente, com a participação de pessoas vivas. Não há um só exemplo bíblico de pessoas vivas representando os mortos no batismo.

 

Em todo o capítulo 15 de primeira aos coríntios o apóstolo disserta sobre ressurreição. Ensina que há ressurreição, pois “se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé” (v.17). Paulo prega que há ressurreição de mortos, e aproveita a oportunidade para lembrar que alguns batizam em defesa da causa dos mortos, mas são incoerentes, pois não acreditam na ressurreição dos mortos. Os que não acreditavam na ressurreição dos mortos não eram genuínos cristãos. Com certeza, nas duas passagens por Corinto, Paulo, pessoalmente, ensinou sobre a ressurreição dos mortos. Assim, Paulo exclui os genuínos cristãos da prática herética de batizar pelos mortos ao dizer que os que assim procedem não crêem na ressurreição.  Os  crentes de Corinto que estivessem tendentes a admitir tal procedimento, agora tomam conhecimento de que  quem pratica essas extravagâncias pertence ao grupo dos que não acreditam em ressurreição dos mortos. Portanto, Paulo e a igreja de Corinto estavam excluídos desse grupo herético.

 

A expressão “pelos mortos” sugere algumas interpretações. Vejamos alguns comentários:

 

“Estas palavras equivalem a dizer: os que se batizam por causa dos mortos. Isso talvez se refira a certos crentes de Corinto, que seguindo o ensino de falsos mestres, se batizavam para reencontrar-se na vida futura com seus amigos ou familiares cristãos. Isso, além de antibíblico, era inútil, “se os mortos não ressuscitam”, como diziam esses falsos mestres (vv. 12, 15-17).”

 

“Alusão a uma prática cuja índole nos escapa. Sem se pronunciar sobre ela, Paulo limita-se a dizer que é absurda se os mortos não ressuscitam” (Bíblia de Jerusalém).

 

“Em 1 Coríntios 15, Paulo  está ensinando a respeito da ressurreição dos mortos. Desde o v. 1, continuando em todo o capítulo, ele fala aos irmãos no Senhor e usa os pronomes vós e nós, com exceção do v. 29, onde aplica o pronome eles (sujeito oculto): que farão (eles) os que batizam pelos mortos...? “Por que se batizam pelos mortos?”

Disso se compreende que Paulo não falava dos cristãos, a quem ele escrevia, mas de algum grupo religioso de fora, ou heréticos. Batismo pelos mortos não é mencionado em nenhum lugar da Bíblia. Se realmente fosse uma ordenança para a Igreja, encontraríamos referências sobre outras partes da Bíblia. Ademais, no Livro de Mórmon, há o ensino de que só nesta vida alguém pode encontrar salvação (2 Ne 9.38; 26.11; Alma 5.28; Mosiah 16.5,11; 26.25-27). De modo bem claro, em Alma 34.31-35, declara: “Pois que esta vida é o tempo para os homens se prepararem para o encontro com Deus...porque depois deste dia de vida, que nos é dado para nos prepararmos para a eternidade, eis que se não aproveitarmos nosso tempo virá a noite tenebrosa, durante a qual nenhum labor poderá ser executado. Logo, há uma contradição entre o ensino atual do mormonismo sobre o batismo dos mortos e o ensino do Livro de Mórmon, considerado como o mais correto de todos os livros da terra...(Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 189). A Bíblia enfatiza a necessidade de ajustarmos nossas vidas com Deus enquanto há tempo, pois, depois da morte, cessa a oportunidade (Is 55.6-7; 2 Co 6.2)” (Bíblia Apologética, ICP).

 

“Esta é uma frase difícil, que tem sido interpretada de muitas maneiras. Alguns vêem aqui referência a um costume local, de pessoas se batizarem vicariamente, em favor de alguns parentes ou amigo que morrera crente em Cristo, mas sem ter recebido o batismo.Sabe-se que tais batismos houve no segundo século. Entretanto, relacionavam-se com seitas heréticas, não havendo referências a tal prática nos dias do apóstolo. Se é este o sentido, deve-se notar que Paulo de modo algum se associa a esses batismos, nem seus leitores. Refere-se na terceira pessoa àqueles que praticam esse rito, e seu objetivo é simplesmente mostrar que o que eles ensinam (isto é, negando a ressurreição) está em contradição com o que fazem (visto que os mortos não se aproveitam desse auxílio)”. (O Novo Comentário da Bíblia, vol.II, Vida. S.Paulo, 1990).

 

“Não é sábio basear nenhuma doutrina numa passagem obscura e isolada. Antes, deve-se sempre usar as passagens claras das escrituras para interpretar as que não são claras. A Bíblia é enfática na questão de que o batismo não salva. Somos salvos pela graça mediante a fé, não por obras (Ef 2.8-9; Tt 3.5-7; Rm 4.5). Além disso, nada podemos fazer para obter a salvação para outra pessoa. Cada um tem de pessoalmente crer (Jo 1.12). Cada pessoa tem de fazer a sua livre escolha (Mt 23.37; 2 Pe 3.9)... Qualquer que seja a correta interpretação, não há razão para acreditar que Paulo estivesse contradizendo o seu claro ensino feito em outras partes da Escritura, ou  o ensino de toda a Bíblia, segundo o qual é patente que cada pessoa tem de, por sua livre vontade, receber ou rejeitar o dom gratuito de Deus, que é a salvação” (Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia, Norman Geisler e Thomas Howe, Mundo Cristão, S.Paulo, p. 469-71).

Se realmente acredita que sem o batismo ninguém chegará ao céu, logo, os que morreram na fé em Cristo, porém sem batismo, não estão no céu, não estão salvos. Se não estão no céu, estão num lugar de tormentos, já condenados, exceto se o mormonismo acredita na existência de uma estação intermediária, tipo purgatório. Veja o que diz o Livro do Mórmon:

 

“E ordena a todos que se arrependam e sejam batizados em seu nome, com perfeita fé no Santo de Israel, pois do contrário não se poderão salvar no reino de Deus” (2 Nefti 9.23). “E se não se arrependerem, e não acreditarem em seu nome, e não forem batizados em seu nome, nem perseverarem até o fim, serão amaldiçoados, pois que o Senhor Deus, o Santo de Israel, assim o disse” (2 Nefti 9.24).

 

Então, pela palavra do próprio mormonismo, que teria recebido pelo profeta Smith, os que não foram batizados estão amaldiçoados. Ficamos então diante de uma situação em que o mormonismo, pelo batismo pós-morte, muda a situação do condenado.  Ora, admitida a hipótese de os não batizados, embora crendo, se encontrarem num  lugar de tormentos, a exemplo da parábola de o rico e Lázaro (Lc 16.19-31), não me parece possível reverter essa situação. A Bíblia não nos conduz ao entendimento de que após a morte haja possibilidade de mudar a situação dos não salvos. Em outras palavras, se o próprio mormonismo diz que os não batizados serão amaldiçoados, e que “depois da morte virá o juízo” (Alma 12.27), como poderia o batismo do morto  mudar a sentença condenatória? Em resumo, se morreu sem batismo, embora crendo, está condenado, segundo o mormonismo; se for batizado após a morte, não estará mais condenado?

 

Tomando por empréstimo a apologia de Paulo, pergunto: Por que o mormonismo batiza pelo mortos se os mortos não batizados já estão condenados? Ou, por que se batizam pelos mortos se acreditam que a preparação para encontro com Deus é nesta vida (Alma 34.31-35)?

Dito isto, passo a analisar e responder argumentos apresentados pelo amado Irineu, representante do mormonismo, como segue:

 

“Prezado Pastor Airton,

 

Vamos a primeira pergunta que fez:

 

AIRTON - Com base em que fonte verdadeira os mórmons procedem o batismo pelos falecidos?

 

IRINEU - Comecemos pela redundante pergunta que Paulo fez aos membros da Igreja, em Corinto, na Grécia, através da carta que lhes escreveu, conforme registra ICor. 15:29: "De outra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que então se batizam por eles?"

 

Tal prática é citada também nos apócrifos Pastor de Hermas e Evangelho de Nicodemos. Era prática comum entre os Cristãos Cerintianos e Marcionitas do segundo século, sendo até hoje realizada pelos cristãos Mandeus da Síria. Tal prática era comum na Igreja cristã Copta (Egípcia) até o século V, quando foi suprimida pela Igreja de Roma, sendo somente restaurada através do jovem profeta Joseph Smith, que não sabia nada sobre Mandeus, Cerintianos ou Igreja Cristã Copta.

 

AIRTON – O mais importante é procurarmos saber se é bíblico ou não o batismo pelos mortos. Uma heresia não se transforma em verdade bíblica, ainda que venha sendo praticada há séculos. Uma heresia poderá virá tradição, ser aceita por milhões de pessoas, mas continuará sendo heresia.

 

IRINEU - A citação de Paulo é muito clara: "De outra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que então se batizam por eles?" Lendo o contexto do capítulo 15 de ICorintios percebe-se que Paulo está defendendo a doutrina da ressurreição e usa essa prática (ou ordenança) cristã para reforçar seu argumento.

 

AIRTON – Não entendo assim. Como já explicado acima, Paulo fala de um grupo que pratica o batismo pelos mortos e que não acredita na ressurreição. Paulo e sua igreja   não estão incluídos nesse grupo  Quando ele diz “se absolutamente os mortos não ressuscitam” não está afirmando exatamente isso, ou seja, que os mortos não ressuscitam. A bem da verdade, está usando o contraste como recurso de argumentação, para ressaltar a incoerência dos que assim procediam. Em outras palavras, disse: “Se eles acreditam que não há ressurreição dos mortos, como eu ensino e acredito, por que batizam em lugar dos mortos?. Nisto vê-se incoerência na tese que eles defendem”.

 

IRINEU -Quanto a questão do "eles" (isto é, de Paulo não usar "nós" na referência à prática), temos um membro antigo da Igreja aqui em Curitiba que é grego e algum tempo atrás conversando sobre isso, ele me disse que esse texto no grego original (ele tem uma bíblia em sua língua natal) encontra-se na voz passiva, e não na ativa, ficando assim fácil entender o que Paulo está dizendo. 

 

Ele, como grego, lê assim diretamente de sua bíblia: "Por que batizam-se então pelos Mortos", ao invés de "Por que se batizam eles então pelos Mortos"

 

Ou seja, na primeira frase o sujeito é indeterminado (pode ser eu, nós, vós, paranaenses, paulistas, mineiros, qualquer um), enquanto na segunda o sujeito é determinado "eles" (Os Coríntios). Evidencia-se que os Cristãos primitivos o praticavam, uma vez que tanto os mandeus como os cristãos sírios podem traçar suas tradições até a época de Cristo. Os mandeus, inclusive, clamam para si serem os descendentes dos seguidores de João Batista.

 

Outro ponto a ser considerado é que a preposição grega Hyper com um genitivo significa “em lugar de” ou “em favor de” como da mesma forma está em ITess. 5:10: “que morreu por nós” e também em ICor. 15:3: “...que Cristo morreu por nossos pecados...”. Ou seja, "em nosso favor", "em nosso lugar", da mesma forma que Paulo expressa aos irmãos de Corinto na passagem de 1Cor. 15:29.

 

AIRTON Quer tenha sujeito definido ou indefinido, Paulo está se referindo aos que batizam pelos mortos. Pode ser “em favor dos mortos”,  “em lugar dos mortos” ou “por causa dos mortos”. A questão é secundária.

 

IRINEU – Também reproduzo a citação do famoso comentarista Dr. Adam Clark (muito utilizado pelos escritores evangélicos) ao comentar “De outra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que então se batizam por eles?".

 

Diz Clark (os grifos são meus): “Este, certamente, é o versículo mais difícil do Novo Testamento, pois, não obstante, o empenho de grandes e sá­bios homens para explicá-lo, existem hoje em dia, quase tan­tas interpretações diversas quantos são os intérpretes. Con­tudo, apesar de seu sentido enigmático, esta passagem da Es­critura faz parte do serviço funerário prescrito na Igreja Episcopal e é devidamente falada pelo sacerdote em todo fune­ral.

 

Mas, onde está a dificuldade de compreensão? Seu senti­do é evidente e óbvio, e somente quando tentamos considerá-­la em sentido figurativo é que surgem as dificuldades. Está claro que nos dias de Paulo a ordenança do batismo pelos mor­tos era tanto compreendida como praticada, e o argumento do apóstolo em apoio à doutrina de uma ressurreição literal é perfeita: Se os mortos absolutamente não ressuscitam, por que então se batizam pelos mortos?"

 

AIRTON – Esse é apenas mais um comentário que não difere muito dos apresentados no início deste trabalho. Ao dizer que se trata do “versículo mais difícil do Novo Testamento” , o Dr. Adam Clark está discordando de suas afirmações, segundo as quais   ”a citação de Paulo é muito clara”; não há “dificuldade de compreensão”; “seu sentido é evidente e óbvio”;  Como se vê, muitos apologistas asseguram que o versículo é difícil. O mormonismo diz que está tudo muito claro.

 

IRINEU - Além de tudo isso o Senhor também revelou a doutrina ao Profeta Joseph Smith nessa dispensação na restauração da plenitude do evangelho.

 

AIRTON – Respeito suas convicções, mas para o Cristianismo essas revelações não são levadas em conta

.

Após suas considerações, considero  encerrada minha participação no debate sobre referido assunto,  já  bastante comentado e discutido, salvo se ocorrer um fato novo que mereça intervenção.

Desde já, autorizo a divulgar o presente debate em quaisquer sites, seja evangélico, seja mórmon, ou a reproduzi-lo por quaisquer meios. Sua leitura  será proveitosa para os novos mórmons e também para os novos convertidos a Cristo. Da minha parte, a divulgação será feita pelos meios ao meu alcance.

 

Fraternalmente,

 

Irineu

AIRTON

 


Cap. 20