O BATISMO PELOS MORTOS

 


Capítulo 14

 

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From: irineu
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Tuesday, December 03, 2002 8:07 PM
Subject: Re: [Apologética Aplicada] Re: [Apologética Aplicada] Batismo - Eduardo Honorato

Querido Eduardo,

 
Obrigado por compartilhar a forma como vc crer sobre esse assunto. Isso é salutar e cordial.
 
Entretanto, permita-me demonstrar que não vejo a passagem citada de ICoríntios 1:17 como uma negação da necessidade do batismo, muito pelo contrário, ela o enfatiza ainda mais.
 
Pense comigo: Pode alguém ser batizado sem antes crer? ou como Paulo fala sem ser evangelizado? A óbvia resposta é não.
 
Ou seja ninguém pode ser primeiro batizado e depois ser evangelizado. Como vc já deve ter concluído o raciocínio dessa passagem é de fácil e simples entendimento: Paulo não está no campo para primeiramente batizar - até porque o batismo é uma consequencia da pregação - mas, sim para pregar, que é a missão básica de todos nós.
 
Ninguém sai por aí com a missão de batizar primeiro. Todos saímos cumprindo com a ordem de Cristo do "Ide e pregai..." e depois com "aquele que crer e for batizado será salvo". Percebe a coerência entre as duas ordens de Cristo:
 
1 - Ide
2 - Pregai
3 - Crer
4 - Batizado
 
Por isso, Paulo diz de forma coerente que ele foi chamado para pregar e não batizar, porque batismo viria como uma consequencia natural da pregação.
 
Apenas para reforçar o que estou dizendo, leia os versículos que precede o texto que vc citou e irá concluir que Paulo está enfatizando a importância da pregação em detrimento do batismo, porque alguns estavam valorizando mais o batismo do que a pregação.
 
E a partir dessa contextualização, fica muito claro entender o que ele está querendo dizer com o "enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar". Era para dar um basta nas disputas internas que estavam ocorrendo na Igreja em função de outros pregadores que estavam batizando e passando a idéia de que o batismo era mais importante porque tinha sido feito por Apolo, Pedro ou mesmo por ele, Paulo, que também já houvera batizado outros. 
 
É o que está no contexto e é fácil ter essa percepção:
 
"...E que não haja dissensões entre vós... 
Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo ou eu de Apolo ou eu sou de Cefas ou eu de Cristo...
Para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. É verdade, batizei também a família de Estéfanas, além destes, não sei se batizei algum outro. Porque Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho... ". (1Cor. 1 10-17)
 
Portanto, a afirmação de que Paulo foi chamado para evangelizar e não batizar só vem reforçar o "ide e pregai", e o "crer e for batizado". Perceba que na graduação para ser salvo, o batismo é o 4o. degrau, ou seja, ele é uma consequencia dos três primeiros e, a pregação é o primeiro e, Paulo sabia muito bem disso!
 
Esse é o contexto e então as palavras de Paulo nesse contexto, em momento algum, está a desfazer do batismo.
 
Lembra do que já lhe citei sobre Pedro na Festa de Pentecostes?. Lá as pessoas ouviram a pregação, arrependeram-se e foram batizadas, isso mesmo, Eduardo, elas foram batizadas após ouvirem a pregação sobre Jesus.
 
E foram quase 3000 pessoas...
 
E Porque todo esse trabalho? Simples, para cumprir com a ordem de Cristo: crer e for batizado.
 
E isso sem falar no próprio exemplo de Jesus que foi batizado!
 
Portanto, reafirmo, o batismo é um mandamento e todos que estiverem na presença de Deus estarão batizados conforme ninguém mais que Jesus ordenou "... for batizado e será salvo".
 
Isso, na minha opinião é por demais enfático e sem dúbias interpretações.
 
Fraternalmente,
 
Irineu
 
 
----- Original Message -----
From: irineu
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Wednesday, December 04, 2002 7:57 AM
Subject: [Apologética Aplicada] Batismo pelos Mortos - Pastor Airton 1/10
 

Prezado Pastor Airton,

 

Vamos a primeira pergunta que fez:

 

1 - Com base em que fonte verdadeira os mórmons procedem o batismo pelos falecidos?

 

Comecemos pela redundante pergunta que Paulo fez aos membros da Igreja, em Corinto, na Grécia, através da carta que lhes escreveu, conforme registra ICor. 15:29: "De outra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que então se batizam por eles?"

 

Tal prática é citada também nos apócrifos Pastor de Hermas e Evangelho de Nicodemos. Era prática comum entre os Cristãos Cerintianos e Marcionitas do segundo século, sendo até hoje realizada pelos cristãos Mandeus da Síria. Tal prática era comum na Igreja cristã Copta (Egípcia) até o século V, quando foi suprimida pela Igreja de Roma, sendo somente restaurada através do jovem profeta Joseph Smith, que não sabia nada sobre Mandeus, Cerintianos ou Igreja Cristã Copta.

 

A citação de Paulo é muito clara: "De outra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que então se batizam por eles?" Lendo o contexto do capítulo 15 de ICorintios percebe-se que Paulo está defendendo a doutrina da ressurreição e usa essa prática (ou ordenança) cristã para reforçar seu argumento.

 

Quanto a questão do "eles" (isto é, de Paulo não usar "nós" na referência à prática), temos um membro antigo da Igreja aqui em Curitiba que é grego e algum tempo atrás conversando sobre isso, ele me disse que esse texto no grego original (ele tem uma bíblia em sua língua natal) encontra-se na voz passiva, e não na ativa, ficando assim fácil entender o que Paulo está dizendo. 

 

Ele, como grego, lê assim diretamente de sua bíblia: "Por que batizam-se então pelos Mortos", ao invés de "Por que se batizam eles então pelos Mortos"

 

Ou seja, na primeira frase o sujeito é indeterminado (pode ser eu, nós, vós, paranaenses, paulistas, mineiros, qualquer um), enquanto na segunda o sujeito é determinado "eles" (Os Coríntios). Evidencia-se que os Cristãos primitivos o praticavam, uma vez que tanto os mandeus como os cristãos sírios podem traçar suas tradições até a época de Cristo. Os mandeus, inclusive, clamam para si serem os descendentes dos seguidores de João Batista.

 

Outro ponto a ser considerado é que a preposição grega Hyper com um genitivo significa “em lugar de” ou “em favor de” como da mesma forma está em ITess. 5:10: “que morreu por nós” e também em ICor. 15:3: “...que Cristo morreu por nossos pecados...”. Ou seja, "em nosso favor", "em nosso lugar", da mesma forma que Paulo expressa aos irmãos de Corinto na passagem de 1Cor. 15:29.

 

Também reproduzo a citação do famoso comentarista Dr. Adam Clark (muito utilizado pelos escritores evangélicos) ao comentar “De outra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que então se batizam por eles?".

 

Diz Clark (os grifos são meus): “Este, certamente, é o versículo mais difícil do Novo Testamento, pois, não obstante, o empenho de grandes e sá­bios homens para explicá-lo, existem hoje em dia, quase tan­tas interpretações diversas quantos são os intérpretes. Con­tudo, apesar de seu sentido enigmático, esta passagem da Es­critura faz parte do serviço funerário prescrito na Igreja Episcopal e é devidamente falada pelo sacerdote em todo fune­ral.

 

Mas, onde está a dificuldade de compreensão? Seu senti­do é evidente e óbvio, e somente quando tentamos considerá-­la em sentido figurativo é que surgem as dificuldades. Está claro que nos dias de Paulo a ordenança do batismo pelos mor­tos era tanto compreendida como praticada, e o argumento do apóstolo em apoio à doutrina de uma ressurreição literal é perfeita: Se os mortos absolutamente não ressuscitam, por que então se batizam pelos mortos?"

 

Além de tudo isso o Senhor também revelou a doutrina ao Profeta Joseph Smith nessa dispensação na restauração da plenitude do evangelho.

 

Esta foi a resposta 1/10. Na seqüência estarei respondendo as demais questões.

 

Gostaria também de ter sua opinião, Pastor Airton à questão:

 

O que acontece ou aconteceu com aquelas pessoas que morreram sem conhecerem o evangelho de Cristo? Pessoas essas que nunca ouviram falar de Cristo, inclusive existindo em nossos dias muitos lugares onde o evangelho não é pregado. E essas pessoas se já não morreram vão morrer sem esse conhecimento. O que acontecerá com essas pessoas? Estarão salvas? Perdidas? Qual sua opinião sobre?

 

Fraternalmente,

 

Irineu

 

 

----- Original Message -----
From: Eduardo Honorato
To: defesadafe@yahoogrupos.com.br
Sent: Tuesday, November 26, 2002 6:10 PM
Subject: [Apologética Aplicada] O batismo e a Salvação - Para Irineu (finalmente)

O batismo e a salvação - I

Irineu, como diriam, "Eu tardo mas não falho". Tentarei ser o mais breve possível, explicando os principais pontos citados normalmente pelos defensores da chamada "regeneração batismal". Quero ser apenas expositivo, e como conseqüência, devem haver pontos onde não concordaremos. Mas é sempre bom ter em mente que sempre o adversário é o argumento e jamais a pessoa do outro lado. Colocarei na "Parte I" a posição que aceito como verdadeiros quesitos para a salvação do homem. Na "Parte II" que pretendo postar amanhà, colocarei comentários acerca dos versículos possuvelmente usados para dizer que "o batismo é necessário para a salvação".

Eu poderia, pelo simples fato de considerar tal ensino com incompatível com as escrituras, nomear tal ensino como "redenção incompleta" ou dizer que a salvação depende de ações humanas. Precisamos, antes de mais nada, delimitar o conceito de salvação, para que nosso pensamento não se baseie em falsas premissas.

Então temos que definir a "salvação". O conceito ortodoxo de salvação certamente difere do conceito mórmon que possui seus "graus de glória". Assim sendo, queria colocar que o pressuposto pelo qual eu analiso as passagens em questão, NÃO É o mesmo que o pressuposto mórmon. Sugiro que o assunto fosse tratado em outra ocasião.

Vejamos então, qual a posição ortodoxa sobre a salvação e destino dos homens após a morte:

  • As almas dos homens possuem um destino eterno. Aqueles que se submeteram a Cristo e seu evangelho, serão salvos e viverão eternamente ao lado do Pai. Os impenitentes serão punidos e lançados no hades, para posteriormente serem ressuscitados e lançados no lago de fogo para a "vergonha eterna" (Daniel 12.2), que é a segunda morte (Ap 21.8)
  • Não existem estados intermediários (purgatório, limbo, etc.), pois não existe NADA que o homem possa fazer para salvar-se a si mesmo. Ele é totalmente indigno diante do Deus Santo, e por isso necessita inteiramente da misericórdia desse Deus para que se salve. A única medida a ser tomada pelo homem é a aceitação do sacrifício vicário do Cordeiro de Deus. Assim sendo, não há "estágios" de punição ou redenção, pois, ou o homem se salva (através de Cristo) ou se perde (através de qualquer outra coisa). Ou céu, ou inferno. Sem meio termo.

Portanto, dentro desse parâmetros definidos, você entende como EU entendo a salvação. Então precisamos definir o que salva o homem. Vamos às escrituras:

"TAMBÉM vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. PELO QUAL TAMBÉM SOIS SALVOS SE O RETIVERDES TAL COMO VO-LO TENHO ANUNCIADO; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras." (1CO 15:1-4)

"Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." (JO 14:6)

A questão da salvação através de Cristo, e unicamente através d’Ele é reenfatizada constantemente nas escrturas. Não é necessário dizer que precisa-se de Cristo para salvar-se, se é levada em conta o ensino escriturístico. Seria então salutar questionar: O que ALÉM de Cristo é necessário para salvar-se?

O pecado separa o homem de Deus e traz a morte (Rm 6.23). O homem não pode pagar seus pecados com obras, pois a salvação se dá unicamente pela fé (Ef 2.8). Fé n’Aquele que expiou o pecado do homem através de Seu sacrifício vicário ( Isaías 53). Assim sendo o sacrifício vicário do cordeiro, ANIQUILA o pecado e a fé no cordeiro nos salva.

"De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para ANIQUILAR O PECADO pelo sacrifício de si mesmo." (HB 9:26)

Ou seja, nada mais é necessário para que o homem se salve. O pecado foi aniquilado, o cordeiro expiou o pecado pelo Seu sacrifício. O fato de que NADA além da fé é necessário para a salvação é corroborado pelas escrituras, que relata a AMPLITUDE E A SUFICIÊNCIA de Cristo no processo salvífico, quando Jesus diz àquele ladrão na Cruz: "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso." (LC 23:43)

O ladrão não se batizou. O ladrão não pagou promessas. O ladrão não teve tempo de se desculpar. O ladrão FOI SALVO. E se alguém discordar, terá que discordar das palavras do próprio Cristo.

O evangelho anunciado por Paulo continha a mesma salvação IMEDIATA, dada instantaneamente pela fé no cordeiro de Deus.

"Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação; EIS AQUI AGORA O TEMPO ACEITÁVEL, EIS AQUI AGORA O DIA DA SALVAÇÃO" (2CO 6:2)

Imaginemos a seguinte situação hipotética. Você, um evangelista, está num avião. Senta-se ao lado de alguém que nunca viu. Inicia um papo amigável e então compartilha com ele sua fé. Anuncia-lhe o evangelho e a Cristo. Pretende, antes de chegar ao fim da viagem, fazer um apelo para que o novo amigo receba a Cristo como seu Senhor e Salvador. Mas você descobre que provavelmente não chegará ao fim da viajem. Foi informado que o avião está com defeito em uma turbina e haverá uma colisão iminente.

O que você faz? Diz àquele moço, que precisa confessar a Cristo, antes que o avião caia, para que seja salvo e desfrute da vida eterna. Se o batismo é necessário para a salvação, como ficam as palavras de Paulo em 2 Co 6.2??? Você teria que dizer a ele, caso o batismo fosse necessário:

"Sinto muito. Não há tanque batismal aqui e nem água para que você seja batizado. Infelizmente, você está perdido e não poderá desfrutar da vida eterna com Cristo".

MAS, graças a Deus pela sua palavra e bondade infinita, que nos dá a CERTEZA absoluta que aquele homem pode ser salvo ALI, naquele momento. OUVI-TE EM TEMPO ACEITÁVEL E SOCORRI-TE NO DIA DA SALVAÇÃO; EIS AQUI AGORA O TEMPO ACEITÁVEL, EIS AQUI AGORA O DIA DA SALVAÇÃO (2CO 6:2)

Ou o batismo SALVA, ou ele NÃO SALVA. Não é coerente aceitar "situações onde ele salva" e "situações onde ele não é necessário". As palavras de Paulo são claras. As de Cristo, ao ladrão da cruz, são inegáveis. Portanto, concluo que O BATISMO NÃO PROVOCA A SALVAÇÃO, ANTES, É MINISTRADO AOS QUE JÁ SÃO SALVOS SALVOS.

Essa é então minha posição sobre a salvação e a necessidade do batismo. Estarei no dia de amanhã postando a segunda parte, comentando sobre os textos usados para dar crédito à salvação pelo batismo.

Paz do Senhor

 


Cap. 15